Imagem ilustrativa da imagem Rodonorte deve admitir pagamento de propina a políticos no PR, diz jornal
| Foto: Divulgação/AEN



A Rodonorte, empresa do Grupo CCR responsável pela concessão da Rodovia do Café, no Paraná, deve fechar acordo com a força-tarefa da Lava Jato no qual assume que pagou propina para tucanos no Paraná. A informação foi publicada na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, desta terça-feira (5). A assessoria de imprensa da Roconorte disse que só se pronunciará após o almoço.

Segundo a coluna, o acordo está em fase final e o interesse da empresa, que tem capital aberto, seria limpar o caminho para novas concessões que virão nos próximos anos. As notas ainda lembram que um motorista que trabalhava na sede da empresa entregou dinheiro em espécie no Palácio do Iguaçu, no TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Paraná e na associação das empresas concessionárias, a ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias). A entidade fechou o escritório que mantinha no Paraná após a deflagração das operações Integração 1 e 2, no ano passado, pela Lava Jato.

Ainda de acordo com a coluna, em São Paulo, a CCR já reconheceu ter dado cerca de R$ 25 milhões a título de caixa dois para tucanos e petistas, mas não de ter pago propina. Apesar de ter aceitado o acordo, o Ministério Público paulista apura se a empresa disse a verdade. A CCR pagou cerca de R$ 81 milhões em multas para se livrar de processos em São Paulo, publica o "Painel".

Corrupção no Paraná

A Rodonorte e todas as outras cinco concessionárias de rodovias federais que formam o Anel de Integração do Paraná são citadas na Operação Integração, que teve duas fases na Lava Jato. Segundo apurou a força-tarefa, criou-se um esquema de corrupção em que as pedagiadoras pagavam propina a membros do governo estadual em troca de aditivos que retiravam obrigações contratuais e elevavam tarifas. As investigações do MPF indicam desvios de cerca de R$ 8,4 bilhões desde 1997, quando o esquema teria começado.

As suspeitas de irregularidades abriram caminho para a ex-governadora Cida Borghetti (PP) decretar intervenção estatal na área administrativa das concessionárias, a três dias do primeiro turno das eleições de 2018 - a Rodonorte questionou a medida na Justiça.

Em fevereiro, o ex-governador Beto Richa (PSDB), seu irmão e ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa, e outras 31 pessoas foram denunciados por crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro pelo MPF (Ministério Público Federal) no Paraná. O ex-governador chegou a ser preso por suposta interferência na investigação e permaneceu detido por uma semana, até que o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) concedeu habeas corpus e salvo conduto para o ex-governador e seu irmão.

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