Roberto Requião quer
vice do PT ou do PDT
O pré-candidato do PMDB ao governo do Paraná, senador Roberto Requião, disse ontem que o seu vice deverá ser escolhido dentre os quadros do PT ou do PDT. As declarações do senador são um sinal de que a aliança com o PSDB do ex-governador Álvaro Dias - que também quer ser candidato - enfrenta dificuldades e que Requião prioriza hoje os contatos com os partidos mais à esquerda.
O senador ofereceu ontem um churrasco para a cúpula petista. O almoço foi em sua residência, em Curitiba, e contou com a presença do presidente estadual do PT, Roberto Salomão; do vice Jorge Samek; e dos deputados estaduais Ângelo Vanhoni, Irineu Colombo e Péricles de Mello. Requião tinha uma conversa agendada à noite, em Londrina, com o deputado federal Nedson Micheleti.
O deputado representa atualmente o maior obstáculo interno no PT para o projeto de Requião. Primeiro colocado nas prévias do partido - que acabaram sendo anuladas por falta de quórum - ele defende a tese de que o PT deve lançar candidato próprio. Micheleti só aceita a coligação com o PMDB se Requião assumir com o PT o palanque do pré-candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, no Paraná.
O senador disse ontem o que os petistas queriam ouvir. ‘‘Tudo ainda é uma costura. O Fernando Henrique é que eu não vou apoiar. A possibilidade mais concreta é que o meu apoio vá para o Lula’’, afirmou. Sobre o quadro de coligações no Estado, ele admitiu que a distância entre o PMDB e o PTB-PPB é grande e que o PSDB é a sigla preferencial do presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira.
A ala menos radical do PT viu com bons olhos a disposição do senador em ceder espaço para o partido na chapa majoritária, que, se acertado, deverá passar pelo crivo do diretório estadual nos próximos dias 6 e 7 de junho. ‘‘Temos o Nedson (Micheleti), o (Luiz Eduardo) Cheida e o (Pedro) Tonelli’’, citou Vanhoni. Segundo o deputado, Micheleti não deve ser encarado como um obstáculo para a aliança PMDB-PT no Paraná. ‘‘Ele concorda com esse acordo’’, garantiu.
Para o presidente do PDT, Nelton Friedrich, a oferta feita por Requião não altera o ritmo do partido. ‘‘Estabelecemos um compasso de espera para verificarmos os desdobramentos do episódio Rio-PT-PDT. As questões nacional e estadual estão conectadas’’, avaliou. Friedrich viu como ‘‘saudável’’ a manifestação do senador, mas não quis citar nomes que poderiam pleitear a vaga. ‘‘Interessante pela forma como vem sendo colocada, uma possível parceria e não mera adesão; e pelo conteúdo, que nos dá a possibilidade de apresentar nossas condições’’, reforçou. A base do PMDB quer os partidos de esquerda, mas não perdeu as esperanças de um acerto com os tucanos e com demais siglas. (L.D)

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