Roberto Freire critica reforma ministerial
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sexta-feira, 23 de março de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente nacional do PPS, o ex-senador Roberto Freire, criticou ontem, em Curitiba, a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem conduzindo a reforma ministerial de seu segundo mandato. Para Freire, as nomeações estão sendo feitas apenas para acomodar interesses políticos, sem nenhuma preocupação com programas que serão desenvolvidos nos diferentes ministérios. O ex-senador também afirmou que Lula é o maior exemplo da ''frouxidão moral'' que, segundo ele, espalha-se por toda a sociedade brasileira atualmente.
Freire está na capital por dois motivos. Ontem, ele iria ao casamento do filho do deputado federal pepessista Cezar Silvestri. Hoje pela manhã, tem uma reunião com professores universitários, intelectuais e representantes sindicais, entre outros, para definir temas que poderão ser tratados em uma conferência que o partido promove em julho. A intenção do PPS é discutir o papel da esquerda no cenário político atual, o que pode até gerar reestruturações na própria legenda. Na próxima quinta-feira, Freire estará em Londrina, onde filia 30 lideranças locais ao PPS. Ele também fará uma palestra na UEL sobre a conjuntura política nacional.
Questionado sobre a formação do ministério de Lula para seu segundo mandato, Roberto Freire não poupou críticas. ''Usando o que o próprio Lula disse, virou uma brincadeira'', resumiu. O ex-senador se referia a declarações do presidente, que afirmou que nesta reforma só não poderia ''brincar'' com as áreas da Educação e da Saúde. ''Então no resto pode ser brincadeira. Lamentavelmente posso ficar pensando que vão brincar com o erário público, com recursos de nossas estatais, com nosso dinheiro e com a nossa dignidade.''
O presidente do PPS diz que suas críticas não se referem ao fato de o governo ter distrubuído os ministérios entre os partidos da base aliada. ''Não vejo nenhum problema que, num governo que tem uma ampla base de sustentação, essa base se sustente no ministério'', justificou. O problema, segundo ele, é que na armação do ministério, não há qualquer preocupação com o programa do governo. ''Você não sabe o que diabos eles (ministros) vão fazer lá, salvo que não será brincadeira na área da Educação e da Saúde'', disse.
Para Freire, a maneira como o ministério vem sendo formado é mais um sinal da ''frouxidão moral'' vivida pelo País. Segundo ele, Lula seria o maior exemplo desse mal. ''E aquele seu retrato com o (Fernando) Collor é a demonstração disso. Se uma prova mais cabal fosse necessária, está ali'', disse, referindo-se ao encontro que Lula teve esta semana com o ex-presidente, que deixou o governo por denúncias de corrupção.


