Rivalidade antiga esquenta campanha
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Edinelson Alves De Londrina Especial para a Folha 
A eleição municipal de Arapongas em 1996 terminou assim: José Aparecido Bisca (PFL) venceu Carlos Alberto Pugliesi (PMDB) por uma diferença de apenas 230 votos. Até as últimas urnas ninguem sabia quem seria o ganhador. Afinal, a campanha foi uma verdadeira guerra com números de pesquisas e bombardeio de denúncias dos dois lados. Inconformado com o resultado daquele pleito, e principalmente com o comportamento da Justiça Eleitoral, Waldyr Pugliesi, tio do candidato derrotado, fez de tudo para anular a eleição. Ocorreram coisas tão estranhas promovidas por quem era responsável e que deveria garantir a tranquilidade de todo processo eleitoral, acusa.
Waldyr esperou quatro anos e agora ele mesmo sai candidato para tentar reverter a derrota do pleito passado. O candidato do PMDB não fala em vingança, mas nas rodas políticas da cidade ninguém duvida que a antiga rivalidade entre os Pugliesi e os Grassano (agora representado por Bisca, mas com Ricardo Augusto Grassano como vice) começa a pegar fogo à medida que se aproxima a eleição. Antes mesmo de começar oficialmente a campanha, a Justiça Eleitoral já havia recebido 60 representações contra candidatos. Esse é um termômetro da alta temperatura política de Arapongas.
Além das representações na Justiça Eleitoral, há outras questões polêmicas que devem ganhar os palanques. Uma delas foi a tentativa de afastar o presidente da Câmara de Vereadores, Valdecir Oliveira (PL). A iniciativa partiu dos vereadores de oposição, que são ligados a Waldyr e possuem maioria no Legislativo. O presidente chegou a ser afastado mas, através de decisão liminar da Justiça, foi reconduzido ao cargo na sessão seguinte. Se antes o confronto já era intenso na Câmara, depois dessa tentativa de afastar o presidente as coisas só pioraram. A proximidade da eleição certamente servirá como munição para intensificar a troca de chumbo entre os vereadores da situação e da oposição.
Uma outra ferida ainda aberta é a questão do atentado, em junho, contra Waldyr e outros dois vereadores aliados dele. O candidato do PMDB conta em detalhes como dois homens armados invadiram sua casa, e um deles teria dito que estava ali para matá-lo. Ele diz que o crime só não aconteceu porque reagiu e surpreendeu os invasores. Mas o fato acabou virando motivo de controvérsia.
Entre populares, a tentativa de atentado virou uma espécie de folclore político. Um jornal local chegou a publicar uma crônica, de duas páginas, ironizando a versão dada para o atentado. Indignado, Waldyr acusa seus adversários por fomentar esse tipo de comentário e afirma: Sou um político que tem história, ideal e ideologia e não preciso inventar histórias para me promover na política de Arapongas.
Para a Folha, o prefeito José Aparecido Bisca não quis fazer nenhum comentário a respeito do polêmico atentado. Como autoridade máxima do município, cobrei todas as providências para que o caso fosse esclarecido o mais urgente possível. Enviei, inclusive, ofício nesse sentido para o secretário de Segurança, para as Polícias Civil e Militar e também para a Assembléia Legislativa, afirmou. Como prefeito e como pai de família, o nosso interesse maior é garantir a tranquilidade da população araponguense, independente de posicionamentos políticos. A fraternidade é a base de nossa formação pessoal e religiosa, por isso queremos saber toda verdade sobre esse caso.
Os dois candidatos contam vantagens sobre a importância dos novos apoios que conquistaram. Waldir passa a receber o apoio do PTB do vereador Graça Júnior, ex-aliado de Bisca. Isso demonstra que apesar da minha posição firme, sempre combati as idéias e não as pessoas, separando uma coisa da outra, diz o candidato do PMDB, que tem o apoio também do PPS e do PPB. São novos companheiros que estão trazendo uma grande contribuição para nossa candidatura. Basta citar que o Graça Júnior teve mais de 2 mil votos na eleição passada; é um apoio de grande expressão eleitoral, argumenta Waldyr, que tem como vice seu sobrinho Carlos Alberto Pugliesi.
Com apoio de sete partidos (PFL-PSDB-PL-PRP-PSB-PSC e PDT) Bisca é o representante da Coligação União por Arapongas. Ele diz que esse apoio nasceu a partir de reuniões realizadas entre diversos representantes da comunidade dentro de um processo de discussão ampla, convertendo-se depois no apoio político-partidário. Sou um candidato que tem compromisso com todas as propostas que foram apoiadas por esses líderes dos mais diversos setores; a nossa preocupação não é apenas ganhar a eleição, mas é com o futuro de Arapongas. Bisca diz que seu grande trunfo nesse pleito é contar com o apoio total dos ex-prefeitos Colombino e Antônio Grassano. São homens experientes e que gozam de grande prestígio político e empresarial, elogia.


