Para o judaísmo a Páscoa começa 1300 anos antes de Cristo. Simboliza a libertação do povo hebreu do Egito, liderada por Moisés. Entre os mandamentos revelados ao profeta, um deles garantiria que aquele feito nunca seria esquecido: ''...e você recordará e contará aos seus filhos tudo o que aconteceu na libertação do povo hebreu da escravidão''.
Daí remonta a tradição, cultivada por judeus de todo o mundo. No Norte do Paraná, são apenas 20 famílias em Londrina e 15 em Rolândia. A Páscoa judaica é celebrada em duas noites, quando entra a sexta lua cheia do ano, que coincide com a entrada do mês de Nissan o calendário judeu é regido pela mudança da lua.
São duas ceias com ingredientes simbólicos. O pão ázimo (matzá, em hebraico), sem fermento, representa a pressa. As ervas amargas lembram as dificuldades, e a travessia do Mar Vermelho é comemorada no ritual com vinho doce, em fartas doses.
Também é consumida uma mistura de maçã, vinho, nozes e canela, a charrôset, uma pasta que reproduz a argamassa que os hebreus prepararam para os tijolos assentados na nova terra.
A celebração é feita em família, com as pessoas sentadas em almofadas, outro símbolo de liberdade. Durante a ceia, os pais contam aos filhos como foi a caminhada até a libertação. ''É para que todo judeu tenha a obrigação de sentir que ele mesmo foi liberto do Egito'', explica Abraham Shapiro, diretor do Centro de Difusão da Cultura Judaica para a América Latina.
Rituais à parte, o judaísmo difere de outras religiões sobre o papel de Jesus Cristo. ''Jesus para nós não significa nada. Ainda aguardamos a vinda do Messias. Também não reconhecemos a ressurreição'', explica Shapiro.
Como maior personagem do cristianismo, o líder judeu aponta um papa, João XXIII. ''Foi quem, em 1962, escreveu em uma encíclica isentando os judeus de culpa pela morte de Jesus. Isso contribuiu para diminuir atitudes e rituais violentos, como a malhação do Judas'', disse. (R.J.)

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