Riquelme divulga nota e rebate crítica da oposição
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quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador-geral de Justiça do Paraná, Milton Riquelme de Macedo, divulgou ontem uma nota de esclarecimento enfatizando que há ''absoluta independência do Ministério Público do Estado'' em relação às investigações sobre o policial civil Délcio Augusto Rasera, que estava cedido ao governo do Paraná, e foi preso na semana passada porque estaria à frente de um esquema de escutas telefônicas clandestinas. Riquelme se refere ao fato do site da campanha eleitoral do governador licenciado Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição, ter veiculado no último dia 12 uma matéria intitulada ''Procurador-geral desvincula Governo do Caso Rasera''. Para o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), num artigo divulgado ontem, o fato teria causado ''constrangimento à sociedade''.
''Entendemos que o procurador-geral do Ministério Público deveria ser o primeiro interessado em apurar todos os fatos que envolvem este caso (...), no entanto, Riquelme afirmou em entrevistas que o episódio está sendo explorado eleitoralmente e adiantou o que só as investigações e o processo judicial poderiam revelar - que o Governo do Estado não teve nenhuma participação ou envolvimento no caso'', diz trecho do artigo. Rossoni é líder da oposição na Assembléia Legislativa e autor de um requerimento, assinado por outros 17 parlamentares, que pede a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) - a CPI do Grampo - para apurar um susposto envolvimento do governador Requião com as escutas clandestinas.
A assessoria de imprensa do Ministério Público do Paraná (MP/PR) informou que Riquelme deu uma entrevista somente à TV Taborá, e que parte de suas declarações teriam sido usadas pela campanha do governador sem seu conhecimento. ''Lamentavelmente, o clima de disputa eleitoral deu ensejo a manifestações que, se não intencionais, expressam absoluto desconhecimento da independência que norteia a atuação dos membros do Ministério Público, e do sistema legal vigente, que estabelece garantias individuais'', esclarece Riquelme em trecho da nota.
''Assim, para que não pairem dúvidas acerca da condução dos trabalhos investigatórios em curso (...) esclarece-se que, depois de aprofundada apuração dos fatos e avaliação criteriosa dos documentos apreendidos, o MP/PR, por seus agentes, adotará as medidas judiciais cabíveis, quando então será possível apontar quantos e quais são os envolvidos nas ações criminosas eventualmente apuradas'', diz outro trecho.
Riquelme já havia sido criticado por políticos de oposição ao governador por ter arquivado uma ação do PPS, em março, que pedia a investigação sobre a prática do nepotismo no Executivo. Em fevereiro, Riquelme também foi alvo de opositores de Requião por ter assumido o cargo no Ministério Público sem ter sido o mais votado entre os membros do órgão.


