Rio homenageia Getúlio Vargas
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os 50 anos da morte de Getúlio Vargas foram marcados ontem por homenagens durante todo o dia no Rio de Janeiro. De manhã, dom Eugenio Salles, arcebispo emérito do Rio, celebrou uma missa na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro da cidade, que contou com a presença de familiares, admiradores e pessoas que trabalharam para o ex-presidente. Mais tarde, uma exposição e um memorial foram inaugurados.
Quem encomendou a cerimônia na Nossa Senhora do Carmo foi o ex-secretário particular de Vargas Guilherme Arinos. Ele tem 89 anos e acompanhou o então presidente nos últimos 12 anos de sua vida. Arinos contou que todo ano, no dia 24 de agosto, encomenda uma missa na mesma igreja, em memória do ex-patrão. Emocionado, Arinos contou que estava no Palácio do Catete quando o então presidente se suicidou. Da família Vargas, estiveram presentes à cerimônia as netas Celina e Edith. Outros cinco netos estão em São Borja (RS), cidade onde Vargas nasceu, para participar de outros atos em sua memória.
Por volta das 11 horas, foi inaugurada no Museu da República, antigo Palácio do Catete, a exposição Getúlio 50 anos depois. No fim da manhã, na Cinelândia, cerca de 200 pessoas acompanharam uma performance do criador do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, em homenagem ao ex-presidente. ''Revivi aqui hoje o suicídio de Getúlio'', disse ele, que interpretou trechos da carta-testamento de Getúlio. ''Ele atrasou em 10 anos o golpe de 64. Devo a ele a minha formação com liberdade'', concluiu ele, que beijou na boca do busto do ex-presidente.
O Memorial Getúlio Vargas foi inaugurado no fim da tarde. A construção foi erguida na Praça Luís de Camões, onde se realizaram diversas manifestações políticas, como a queima de bandeiras dos Estados brasileiros promovida por Vargas quando da criação do Estado Novo, em 1937. A obra, paga pela prefeitura, custou R$ 4 milhões.


