Richa vê como absurda decisão que o tornou réu
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sexta-feira, 29 de junho de 2018
Guilherme Marconi <br>Reportagem Local 
O ex-governador Beto Richa (PSDB) - que se licenciou em abril para participar nas eleições de outubro como candidato ao Senado - comentou as recentes decisões judiciais envolvendo seu nome. Na quarta (27), o tucano se tornou réu por suposto uso ilegal de verba na saúde destinada originalmente a reformas de unidades hospitalares. O caso é de 2009, ano em que ele era prefeito de Curitiba. A decisão foi do juiz federal Nivaldo Brunoni, da 23ª Vara Federal.
"É uma decisão teratológica", classificou o ex-governador, ao mencionar um termo jurídico para apontar algo monstruoso, uma "decisão absurda", segundo Richa. "Foi um convênio que eu assinei em 2006. E depois se observou que uma funcionária de carreira desviou esses recursos para sua conta pessoal", disse Richa, acrescentando que a servidora foi demitida da função pública por ele. "Agora, a acusação é de R$ 100 mil reais. Não estou minimizando o valor, mas em Curitiba, na minha administração, fizemos 10 mil obras... O que eu lamento é o 'carnaval' que fizeram e tenho absoluta certeza de que nas demais instâncias superiores isso cai de pronto. Não tenho nada a ver com essa situação", disse.
LISTA ODEBRECHT
O ex-governador também foi questionado sobre a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que tirou do juiz federal Sérgio Moro e repassou à justiça eleitoral investigação sobre suposto uso de verba ilícita da Odebrecht para a duplicação da rodovia PR-323, no Oeste do Estado. "Eu vejo como uma decisão adequada, visto que não foi desviado um centavo sequer de dinheiro público", respondeu Richa.
Em maio, Moro havia mandado investigar suposto acerto de R$ 4 milhões da empreiteira Odebrecht para "Richa e associados". O valor teria sido pago "em troca do favorecimento da empreiteira em licitação para duplicação da PR-323, tudo isso durante o ano de 2014". A contragosto, o juiz da Lava Jato foi obrigado a mandar o caso nesta semana para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). "Não se trata de 'mero caixa dois' de campanha, mas sim, de pelo menos em cognição sumária, pagamento de vantagens financeiras por solicitação de agente público (...), em troca da prática ou da omissão de ato de ofício", assinalou Moro, ao enviar o caso para o TSE.
Já o governador considerou descabido incluí-lo em qualquer envolvimento com a Lava Jato. "É uma operação criada para investigar a Petrobras. Não tinha nada a ver com o caso. Era uma PPP que inclusive seria um duplicação de uma estrada estadual e nem federal."
PEDÁGIOS
Beto Richa disse ainda estar tranquilo com a homologação da delação do ex-superintendente do DER (Departamento de Estradas e Rodagem), Nelson Leal Jr, preso em fevereiro na Operação Integração, 48º fase da Lava Jato que investigou desvios no pedágio. "Eu não sei o que ele tem a dizer, mas posso adiantar que estou absolutamente tranquilo. Quanto à decretação da prisão dele, a alegação era que a tarifa do pedágio é cara. Tem contratos mostrando que tudo aconteceu com a maior transparência."


