Richa só manteve esquema, diz Leal
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quarta-feira, 26 de setembro de 2018
M.F.R. 
O primeiro contrato de privatização das rodovias federais no Paraná foi assinado em 1997. A partir daí, 2,5 mil quilômetros foram subdivididos em trechos agrupados em seis lotes. Cada um deles foi licitado e ficou sob responsabilidade de uma concessionária.
Nelson Leal Júnior lembrou em sua oitiva que, quando o então governador Jaime Lerner concorreu à reeleição, baixou a tarifa do pedágio em 50%. "Esse ato unilateral foi favorável às concessionárias, que inicialmente ficaram desobrigadas de obras de ampliação". Após o pleito, o preço foi restabelecido, "mas as empresas não precisariam retomar os investimentos".
Na sequência, em 2000 e 2002, foram celebrados mais dois termos aditivos com cada concessionária, que supostamente deveriam reequilibrar os contratos. No contrato original, havia a previsão de 850 quilômetros de duplicações. Após os aditivos, a obrigação caiu para 450 quilômetros. O ex-diretor destacou que, antes de assumir o Palácio Iguaçu, em 2003, Roberto Requião (PMDB) lançou o slogan "ou baixa ou acaba" e deflagrou uma briga judicial com as concessionárias.
Para Leal Júnior, a disputa foi "totalmente inócua, pois o governo não efetivava as desapropriações necessárias para as obras, o que acarretava na não realização. Ele prosseguiu que, em 2005, Requião assinou uma ata da comissão tripartite de acompanhamento contratual, que reduziu a tarifa da Ecocataratas em 30%, em troca da retirada de todos os investimentos de ampliação. Assim, disse, "nos governos anteriores [ao de Beto Richa] já haviam ocorrido diversos atos que favoreceram as concessionárias".
O colaborador argumentou também que, quando Richa tomou posse e ele foi para o DER, "só deu continuidade ao esquema". "O depoente ouviu de Pepe Richa que as concessionárias tinham apoiado financeiramente a campanha de eleição do governador em 2010, sendo que, em razão disso, o governo Beto Richa já tinha assumido um compromisso com as concessionárias que, se fosse eleito, iria celebrar os aditivos contratuais para atender os interesses das concessionárias", diz trecho do despacho.


