Curitiba - Depois das reações provocadas ao defender que policiais militares não precisam de diploma de ensino superior para exercerem a função, o governador Beto Richa (PSDB) pediu desculpas ontem pelo que considerou um ''grande deslize'' da sua parte. Na semana passada, Beto havia dito que a exigência do diploma tira a oportunidade de jovens de 18, 19 anos ingressarem na polícia, acrescentando que alguém com curso superior pode ser mais insubordinado e não aceitar cumprir ordens de superiores.
Agora, o governador justificou a declaração e disse que não pensa assim. ''Tenho humildade suficiente para reconhecer um erro e para pedir desculpas tanto para a Polícia Militar, como para muitas pessoas que confiam em mim e sabem dos meus nobres compromissos em fazer o melhor pela nossa sociedade, a minha responsabilidade como governante. Acho que foi o primeiro grande deslize que cometi na minha vida pública'', admitiu. As declarações foram dadas à uma rádio de Curitiba.
Beto acrescentou o compromisso que tem com a clase policial. ''Fui pego de surpresa na entrevista e cometi um ato falho. Fiz uma manifestação que não é o que eu defendo e não é o que eu penso. Estou aqui para me redimir e dizer que temos um forte compromisso com a Polícia Militar, tanto é que o aumento que eu dei para os PMs, a partir de maio, será o maior salário de todo o Brasil'', respondeu o governador.
''Errei na minha fala, foi um argumento que ouvi de um oficial e isso não é o que eu penso, ao contrário. Eu quero oferecer a oportunidade do curso superior, a Academia do Guatupê estará preparada e os praças vão fazer curso de tecnólogo, os oficiais de bacharelado em segurança pública e o argumento que eu usei é que não podemos restringir. Como é que eu vou exigir de um soldado que está ingressando na polícia o curso superior? E os jovens egressos do serviço militar, que já estão preparados, capacitados inclusive fisicamente, vocacionados para a área da segurança pública? E aqueles que estão cursando o ensino superior não poderiam entrar no concurso da polícia. Não podemos restringir e discriminar jovens que têm o desejo de entrar. Depois de entrar, aí sim vamos incentivar para que eles tenham um curso superior'', reforçou o governador.
Amanhã de manhã, a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná promove no Plenarinho uma audiência pública com os envolvidos na questão para debater exatamente este projeto de lei de autoria do Poder Executivo, que chegou há poucos dias na Casa e que trata da não obrigatoriedade do diploma de curso superior para quem desejar trabalhar como policial militar. A Associação de Defesa dos Policiais Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai) defende o diploma.

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