O desmantelamento do domínio alvarista possibilita, em tese, que o PSDB estadual dê respaldo ao grupo lernerista nas eleições do próximo ano. No entanto, o ex-governador José Richa se apressou em garantir em nota oficial que o PSDB paranaense ''não terá nenhum vínculo com o governador Jaime Lerner ou qualquer outro grupo político''. No cenário nacional, o grupo de FHC luta para reeditar a aliança PSDB/PFL/PMDB. No Paraná, PSDB e PMDB fazem oposição ao governo.

O ex-governador admite sua interferência nos rumos no PSDB. Na nota, diz que a desvinculação em relação ao atual governo foi a condição que impôs para ajudar a reformular o partido no Estado. Richa está animado com a reestruturação do partido, que deve lançar candidato próprio ao governo no próximo ano. Richa vai convocar antigos integrantes para reestruturar a legenda. O trabalho será dificultado pela proximidade do fim do prazo para novas filiações, que acaba em um mês.

Richa não queria o partido caso o deputado Luiz Carlos Hauly se mantivesse no poder. O filho do ex-governador, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PTB), esperava o desfecho do caso para entrar no PSDB.

Hauly, que recusou participar da comissão provisória, disse ontem que não vai sair do partido, que é ''sua casa''. Mas adiantou que o diretório estadual vai recorrer primeiro na área administrativa, junto ao próprio partido, e depois na Justiça. Com o intuito de barrar uma possível entrada do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), no partido, ficarão antigos alvaristas: Hélio Duque, Erasmo Garanhão e Haroldo Ferreira.

Quando Alvaro renunciou, Villani, que era seu vice, não assumiu. Hauly foi eleito às pressas, com o objetivo de garantir a influência de Alvaro no ninho tucano. Para Alvaro, a dissolução foi ''arbitrária e ilegal''. Ele disse que o objetivo é prejudicar sua candidatura ao Palácio Iguaçu. O senador argumenta que o processo de dissolução precisaria ter sido votado. (M.D.)

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