Richa desabafa sobre processos judiciais e nega desgaste com PP
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sexta-feira, 27 de julho de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

"Quando a gente é inocentado a repercussão não é a mesma", disse o ex-governador Beto Richa (PSDB) em entrevista à FOLHA nesta quinta-feira (26). O tucano se referiu ao trancamento da ação penal feito a pedido do Ministério Público Federal que requereu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) na terça (24) que conceda um habeas corpus do ex-governador do Paraná.
A Procuradoria havia acusado Richa pelo emprego indevido de R$ 100 mil recebidos do Fundo Nacional da Saúde, no período compreendido entre 14 de novembro de 2006 e 31 de dezembro de 2008, quando era prefeito de Curitiba. "A pessoa não precisa ter conhecimento jurídico para identificar isso. Uma funcionária de carreira desvia esse dinheiro para a conta dela. Qual minha obrigação? Abri investigação administrativa e ela foi demitida".
O ex-governador também comentou sobre o "elevador jurídico" que se tornou outro processo em que é investigado por suposto favorecimento a Odebrecht em troca de dinheiro para a campanha de reeleição ao governo, em 2014. A justiça eleitoral devolveu ao juiz federal Sérgio Moro inquérito que apura se o ex-governador cometeu crimes no processo de licitação para duplicação da PR-323.
"A Lava Jato foi criada para investigar desvios da Petrobras, esta PPP (Parceria Publico Privada) tem o quê com a estatal? Essa PPP nunca aconteceu. Nenhum centavo do Estado foi gasto. Até a acusação da PGR (Procuradoria Geral) também reconhece que não deve ser remetido para a 13ª vara federal. Vou falar o quê?".
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Já em tom de desabafo, o ex-governador também falou sobre o arquivamento do inquérito feito em março pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por nulidade de provas, inquérito no âmbito da Operação Publicano, que mirou supostos pagamentos de R$ 2 milhões em caixa dois para a campanha de Richa.
"Outra injustiça. Vocês sabem quanto eu sofri. E o que sobrou em um ano e meio? R$ 5 mil de dividendos no meu comitê que ninguém sabe de onde veio?". A Publicano foi deflagrada em 2015, contra um esquema de corrupção e sonegação de tributos que teria lesado o erário em até R$ 500 milhões. A delação do ex-auditor Luiz Antônio de Souza, peça-chave das investigações, foi alvo de questionamento por advogados da defesa de Richa por ter sido homologada pela Justiça Federal em Londrina, e não pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
FAKE NEWS
Richa desmentiu rumores de que a esposa Fernanda Richa deixaria a Secretaria de Desenvolvimento Social do governo Cida Borguetti (PP) por suposto desgaste entre ele e o deputado federal Ricardo Barros (PP), marido da governadora. "Ela (Fernanda) mesma já mandou desmentir. Não vou dizer que ela não poderá sair. Mas neste momento não tem nada disso", garantiu.
CAMPANHA
Pré-candidato ao Senado, Richa deixou claro que estará empenhado na campanha do presidenciável tucano Geraldo Alckmin. "É incomparável o preparo de Alckimin em relação aos demais candidatos. O poder de articulação que demonstrou agora (quando conquistou apoio do 'centrão' bloco político com PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade). Vemos em um ou outro candidato que vem despontando um despreparo total que não há consistência, só palavras de efeito", disse, ao citar discurso radical de candidatos, a exemplo o deputado Jair Bolsonaro (PSL).


