Beto Richa tentará primeiro mandato federal após ter sido deputado estadual, prefeito de Curitiba e governador
Beto Richa tentará primeiro mandato federal após ter sido deputado estadual, prefeito de Curitiba e governador | Foto: Ricardo Chicarelli



O ex-governador Beto Richa (PSDB) confia na parceria feita com os prefeitos para disputar uma das duas vagas paranaenses ao Senado nas eleições de outubro. Richa passou o bastão para governadora Cida Borghetti (PP) em abril, prazo determinado pela Justiça Eleitoral. Em visita à FOLHA, o tucano defendeu que entregou o cargo para sua sucessora com R$ 6,7 bilhões em caixa. "Temos a melhor situação fiscal e financeira do País, feita graças ao ajuste fiscal que colocou a casa em ordem."

O pré-candidato ao Senado afirmou que nunca discriminou prefeitos de outros partidos e que confia nessa parceria como diferencial na campanha: "Você pode ligar para todos os 399 prefeitos dos municípios. Quando há discriminação, quem paga a conta é a população. Nunca condicionei envio de recursos a apoio político", frisou.

AJUSTE FISCAL
Apesar do desgaste político que teve como auge a 'batalha' do dia 29 de abril de 2015 no Centro Cívico em Curitiba, o ex-governador voltou a defender o ajuste fiscal promovido na sua gestão com aval da Assembleia Legislativa. "Eu paguei um preço caro por isso. Não agi como político, mas como gestor. Mas outros estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul enfrentam dívidas que ultrapassam R$ 13 bilhões e vão deixar um deficit ao sucessor. Eu tenho orgulho e tenho a consciência tranquila. Fiz uma gestão responsável."

REFORMAS
O tucano defende o debate das reformas da Previdência, tributária e política no Congresso. Richa elogiou ainda o resultado da reforma trabalhista. "Lembrando que os três senadores do Paraná foram contra a medida", alfinetou. O ex-governador considera a reforma política mais urgente entre as demais e defende a redução do número de partidos. "É uma absurdo, alguns são só partidos de aluguel em tempo de eleição, depois participando de uma ampla eleição e querem espaço na gestão e dá no que: incompetência, ineficiência, e quando não corrupção."

O tucano também afirmou ser essencial o fim das coligações nas eleições proporcionais, ou seja, para deputados e vereadores. Em 2014, na majoritária, Richa reuniu 17 partidos para concorrer à reeleição. Ele disse ainda que pretende cumprir apenas um mandato de senador por oito anos e garantiu que irá defender o fim da reeleição, apesar de ter sido beneficiado pelo sistema político por duas vezes, como prefeito de Curitiba e governador. "Nas minhas primeiras campanhas eu já dizia isso. Eu participei porque era a regra do jogo, mas eu vim observando que em tese seria uma boa coisa."

Richa está confiante na sua trajetória no Executivo como prefeito de Curitiba por dois mandatos e de governador por sete. "Fui parlamentar por duas vezes como deputado estadual e tenho muita experiência para levar a Brasília para ajudar o Brasil a sair do buraco." Ele enumerou investimentos na gestão de Londrina como obras como a duplicação da PR-445, com 22km e 11 viadutos entre Londrina e Cambé, a desapropriação para o aeroporto, de R$ 53 milhões em repasse estadual, recuperação do Teatro Ouro Verde e construção da nova sede do IML (Instituto Médico Legal).

NOTÍCIAS FALSAS
O ex-governador também comentou sobre as noticias falsas, as conhecidas 'fake news', que se multiplicam no período eleitoral. "Eu como ninguém fui alvo de notícias produzidas, fabricadas, potencializadas, deturpadas". Segundo o tucano não é de hoje, com as redes sociais, que elas se proliferam. "Na minha primeira campanha a prefeito de Curitiba em 2004 arrumaram até um filho para eu reconhecer a paternidade. Depois viram que era uma mulher com transtorno mental, enfim. Já me tentaram envolver em cada absurdo. Até no acidente do ex-deputado Ribas Carli Filho tentaram me envolver", disse, sobre o duplo homicídio no qual Carli Filho se envolveu em Curitiba e foi condenado em fevereiro deste ano.

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