Pressionado a deixar o cargo desde que confessou ao Ministério Público (MP) o recebimento de propina de R$ 150 mil, o prefeito de Londrina José Joaquim Ribeiro (sem partido) pediu licença do cargo por 10 dias alegando motivo de saúde. Seu atestado médico somente foi entregue ontem e o secretário de Governo, Gervázio Luiz de Martin Júnior, assumiu a gerência do município, porém, com competência limitada. ''A cidade não vai parar'', garantiu Martin Júnior, em entrevista à imprensa ontem à tarde.
Em sua única e última entrevista após confessar a propina, Ribeiro disse que estava tomando medicamentos, fazendo associação com o estresse pela pressão. Porém, o conteúdo do atestado do prefeito não foi divulgado. ''É uma relação entre médico e paciente e não temos autorização para divulgar'', disse Martin.
''O município não está sem prefeito. O prefeito é o Ribeiro que está afastado por motivo de saúde e qualquer pessoa pode ficar doente'', afirmou o procurador-geral do município, Evaldo Dias de Oliveira, que participou da entrevista. Segundo ele, o caso atual é inédito, já que não há vice-prefeito para assumir interinamente. ''Não se trata de vacância nem de impedimento do prefeito e por isso, segundo a Lei Orgânica do Município, não há necessidade de prefeito interino. É o secretário de Governo que assume a gerência.'' Ele disse que caso a doença de Ribeiro se prolongue além de 10 dias será necessário analisar a possibilidade de interinidade no Executivo.
Questionado se Ribeiro deve ser submetido à perícia médica, tal como ocorre com os demais servidores, o procurador disse que tal fato também está sob análise. ''No caso dos servidores, há um estatuto próprio. Vamos ver se isso se aplica ao agente político.''
O secretário de Governo apenas ''gerenciará as atividades que já estão sendo realizadas pelas demais secretarias''. Ele pode ordenar despesas, mas não tem competência, por exemplo, para encaminhar projetos à Câmara ou sancionar leis. ''Minha prioridade nestes 10 dias é o Profis, já que a prefeitura está com problema de caixa'', disse Martin Júnior, afirmando acreditar que o projeto para recuperar dívidas tributárias não será aprovado pela Câmara antes de Ribeiro voltar ao trabalho.
Antes da entrevista à imprensa, na tarde de ontem, Martin se reuniu com o secretariado e afirmou que o clima no primeiro escalão é de ''empenho''. ''A grande dúvida é se Londrina vai parar. Não, Londrina não vai parar. Cada secretário tem autonomia e as atividades públicas continuam.''
Gervázio Martin Júnior, 35 anos, é advogado, formado em Paranavaí e nunca ocupou cargos públicos. Tem um escritório em Londrina desde 2001 e não é filiado a partido político. Ele disse não ter relação de amizade com Ribeiro e não quis dizer como seu deu sua indicação para o cargo. ''Não é importante este fato (revelar de quem foi a indicação) neste momento'', esquivou-se. ''Houve indicação. O prefeito me convidou e eu aceitei.''
Nomeações
Antes de ficar doente, Ribeiro nomeou o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Nelson Brandão, para acumular a presidência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), função que era exercida pelo secretário de Obras, Marcello Teodoro. Este se demitiu após Ribeiro confessar o recebimento de propina. Para a Secretaria de Obras foi nomeado o engenheiro Ossamu Kaminagakura, servidor de carreira da prefeitura. A Secretaria de Planejamento será acumulada por João Carlos Barbosa Perez, que é o responsável pela Fazenda.

mockup