Após um mês à frente da Prefeitura de Londrina, o prefeito tampão José Joaquim Ribeiro (PSC) parece desconfortável com as medidas impopulares - cortes de gastos, retenção de investimentos e suspensão de obras - que tomou em razão da falta de recursos. O desconforto aumenta principalmente porque seu antecessor, Barbosa Neto (PDT), cassado pela Câmara por infração político-administrativa no dia 30 de julho, tem afirmado que quando estava no governo havia dinheiro. Em entrevista à FOLHA, Ribeiro devolveu: ''A diferença é que ele estava fazendo tudo, mas esqueceu que o dinheiro acaba. Em fevereiro os funcionários falaram para ele que teria dificuldade para fazer pagamentos a partir de junho''.
O prefeito admite a possibilidade de atrasar o pagamento do 13º salário do funcionalismo, o que somente não ocorrerá, segundo ele, se o programa de recuperação fiscal (Profis), que aguarda aprovação da Câmara, obtiver êxito. Ribeiro também falou sobre o esquema de corrupção na compra de uniformes durante a gestão de Barbosa, nomeações de cargos comissionados e campanha eleitoral, da qual promete não participar.
FOLHA - Neste primeiro mês, o que foi possível fazer?
Ribeiro - Nós demos continuidade a todas as obras que estavam sendo realizadas. Só a Praça da Juventude que o empresário, por não ter recebido, deu uma paradinha. A (obra na) Avenida Maringá continua, o tapa-buracos, nós recuperamos a (Avenida) Faria Lima, e nós temos o problema da Duque de Caxias, porque é uma obra de custo e de uma dificuldade maior para ser executada, porque houve um estrago muito grande com as chuvas.
E vai ser possível fazer as obras na Duque de Caxias?
Nossa esperança é de fazer realmente, mas é sabido por todos que o caixa do município realmente tem dificuldade.
E também houve a suspensão de obras importantes...
No caso do Teatro Municipal, teríamos que fazer um depósito que é a contrapartida do município e não tempos esses recursos. A UPA do Jardim do Sol também demanda recurso. Nós não perdemos a esperança de iniciar essas obras, mas sem dinheiro é impossível.
E sobre o 13º salário, existe a perspectiva de não haver dinheiro para fazer o pagamento?
Existe. Nós estamos sonhando com o Profis, esperando a colaboração dos grandes devedores, que entendam o momento que estamos passando, para que possamos chegar ao final do ano com as contas em ordem. Há toda a possibilidade de a cidade ter uma nova administração e, se pegar as contas atrasadas, vai atrapalhar.
Então o Profis é uma esperança de não atrasar o 13º?
Exatamente, porque com os recursos que recebemos mensalmente não dá para fazer frente às despesas do município.
O ex-prefeito tem dito que havia dinheiro e que o problema somente começou agora...
A diferença é que ele estava fazendo tudo, mas esqueceu que o dinheiro acaba. E a informação é que em fevereiro (deste ano) os funcionários falaram para ele que teria dificuldade para fazer pagamento a partir de junho.
O ex-prefeito foi alertado?
Em abril, os funcionários o notificaram (Barbosa) por escrito. Veja que essa situação não é de agora. Ele vinha atropelando mesmo os custos.
Enquanto estava no governo, o senhor soube de alguma irregularidade no caso dos uniformes?
Foram procedimentos feitos nas secretarias de Gestão e Educação. Eu nunca participei da discussão desse processo. Para mim fica difícil avaliar porque eu não participei.
Por que o senhor nomeou o advogado Maicon Castilho, que defende a ex- secretária Karin Sabec, para um cargo comissionado?
Foi a indicação de um vereador, eu nem sabia...
Quem?
O Padre Roque (PR).
O senhor tem um acordo com os vereadores em troca de cargos?
Algumas indicações deles eu aceitei.
E o que o advogado vai fazer?
Vai trabalhar na ação social. A secretária pediu um advogado para que fizesse alguns planejamentos.
O senhor é do partido da coligação do candidato a prefeito Marcelo Belinati. Existe algum pedido para que o senhor participe da campanha?
Desde que tive que assumir, já comuniquei a ele que não participaria em nada da campanha, até para o bem dele, porque como eu estou num governo de cinco meses tem muita coisa que pode ocorrer e pode até atrapalhar os planos dele. Ele tem um projeto político dele. Não participei e não tenho a intenção de participar.
Neste tempo que lhe resta de governo, o que o senhor ainda pretende fazer?
Tem algumas obras de pequeno porte, que são muito importantes para a cidade. Perto do Hospital Universitário falta uns 300 metros de asfalto; tem a segunda pista perto do Centro de Eventos, que precisava ser concluída porque tem um fluxo muito grande... A gente está priorizando as mais necessárias, temos o tapa-buraco que não pode parar, a questão da dengue. Ser prefeito de Londrina é um sonho para tantos, mas, nessa condição que eu entrei, considerando a questão financeira, principalmente, o sonho é levar o governo até 31 de dezembro. Tenho que sonhar com os meus pés fincados no chão.

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