O ex-prefeito de Londrina José Joaquim Ribeiro (em partido), preso desde quinta-feira na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) 2, foi levado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ontem à tarde como parte de um acordo de delação premiada entre a defesa e os promotores. No entanto, ''não trouxe nenhum elemento novo'' à investigação sobre o desvio de R$ 3,8 milhões em dinheiro público, conforme disse o promotor de Justiça Renato de Lima Castro.
Havia a expectativa, alimentada pela própria defesa de Ribeiro, de que ele poderia dar detalhes sobre supostas irregularidades na administração municipal no período em que ele foi vice-prefeito de Barbosa Neto (PDT). A intenção do advogado Ricardo Flores, que defende Ribeiro, era conseguir a revogação da preventiva a partir da colaboração com as investigações. Mas, ao final da conversa com os promotores, o próprio advogado reconheceu que ''ele não acrescentou muita coisa hoje''. Segundo Flores, ''ficou esclarecido que ele está aí para ajudar o Ministério Público''.
O advogado acredita que será possível apresentar ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná um pedido de revogação da prisão, ''uma vez que ele está de boa-fé na colaboração com a investigação, o que foi visto hoje pelo Ministério Público, não há mais motivo para manter essa cautelar''. O recurso deve ser apresentado na segunda-feira. Sobre a viagem de Ribeiro a Santa Catarina, onde foi preso, Flores negou tentativa de fuga. ''Ele estava com o pensamento tumultuado.''
O ex-prefeito renunciou ainda na quinta-feira, logo após ser detido por policias do Gaeco, e foi trazido de carro para Londrina numa viagem que durou mais de dez horas, vindo de Piçarras (SC). Ele está numa cela individual na PEL 2, onde deverá passar o final de semana. Ribeiro saiu do Gaeco algemado, carregando o livro ''Corrupção'', de autoria de José Antonio Martins. O livro foi emprestado do promotor Renato de Lima Castro.

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