Ribeiro confessa ter recebido propina e compromete Barbosa
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quarta-feira, 05 de setembro de 2012
Edson Ferreira <br>Reportagem Local 
Em depoimento prestado ao Ministério Público (MP) estadual, o prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (PSC), admitiu ter recebido propina da empresa G8. Além disso, ele afirmou também em depoimento ter dividido o montante - que seria de R$ 150 mil - com o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e com o ex-secretário da Fazenda Lindomar dos Santos. A propina, segundo depoimento, foi paga em 2010, após a contratação da empresa por meio de ''carona'', e foi dividida entre os três (R$ 50 mil para cada um). Prefeito e ex-prefeito vão ser indiciados hoje pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por lavagem de dinheiro, peculato, formação de quadrilha e corrupção passiva. A revelação de Ribeiro ocorreu durante depoimento prestado na segunda-feira numa sala do Fórum de Londrina, local escolhido pelo prefeito devido ao foro privilegiado.
Com exceção do valor, que segundo apurou o Gaeco seria de R$ 270 mil, a versão de Ribeiro confere com os demais elementos. De acordo com o delegado Alan Flore, o prefeito ''confessou ter recebido vantagem indevida e isso converge com as demais provas, inclusive com diversos testemunhos detalhados que dão conta de que o crime existiu''. No depoimento, Ribeiro disse que o dinheiro ilícito se referia a ''caixa de campanha'' e informou até que Barbosa Neto ''conferiu na frente dele'' a propina. Segundo o Gaeco, os empresários também fizeram pagamentos ao ex-secretário de Governo Marco Cito.
O prefeito confirmou no seu depoimento que foram necessários quatro encontros com empresários para totalizar o repasse. ''No seu escritório, na sua casa, no estacionamento de um shopping e também na rua Maranhão'', segundo detalhou o promotor de Justiça Renato de Lima Castro. O promotor apontou ainda outras pistas confirmadas pelo prefeito como ''transferências da G8 para empresa do mesmo grupo e saques em dinheiro contabilizados na própria empresa para o dinheiro ser entregue em mãos''.
O promotor informou que Ribeiro optou por ser ouvido sem advogado, contudo, na tarde de ontem, o prefeito não compareceu ao local agendado com os promotores que pretendiam novamente ouvi-lo. Alegou, através do advogado Paulo Nolasco, que precisou viajar.
Nolasco esteve na sede do MP e considerou que o depoimento de Ribeiro não teria validade por ter ocorrido ''sem a presença da defesa''. Ele não quis comentar a confissão e informou que protocolou um pedido para que o prefeito seja ouvido novamente. Para o promotor, porém, essa decisão caberá à Justiça. Lima Castro não quis antecipar se o MP vai pedir o afastamento judicial do prefeito.
Foram confirmados também o indiciamento hoje dos ex-secretários Karin Sabec, Fábio Reali e Marco Cito, além dos empresários Marcos Divino Ramos, José Lemes dos Santos, Wilson Yoshida e o contador das empresas, Pedro Bresciani, todos por corrupção. No inquérito, que será concluído e remetido ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná hoje, também estão indiciadas Cristina Yoshida, Claudiane Mandelli, Eliane Alves da Silva (funcionária da G8) e Paulina Aparecida de Souza (mulher de Marcos Ramos). Estas duas últimas com mandados de prisão decretados, portanto, consideradas foragidas.
Barbosa Neto nega
O ex-prefeito Barbosa Neto, convocado para comparecer ontem novamente ao Gaeco, negou ter recebido R$ 50 mil, contrariando o depoimento de Joaquim Ribeiro. O ex-prefeito atribuiu as declarações tanto de Ribeiro quanto de Karin Sabec - ela foi a primeira a detalhar o suposto esquema ao Gaeco - ao clima eleitoral. ''As nomeações do filho da Karin na CMTU e do advogado dela na prefeitura e de outras pessoas da coligação partidária que apoia um candidato mostram o interesse que eles têm'', disse Barbosa, em referência à coligação de Marcelo Belinati (PP).
Questionado sobre as provas que o Gaeco reuniu por meio de depoimentos e de outras medidas no curso da investigação, Barbosa afirmou que ''meu nome não foi citado pelos empresários e eu prefiro aguardar, confio na Justiça''.
Movimentação intensa
Os ex-secretários municipais Marco Cito (Governo), Lindomar dos Santos (Fazenda) e Karin Sabec (Educação) estiveram ontem no Gaeco. Com exceção de Karin, que não falou com a imprensa, os dois negaram ter recebido propina nas supostas fraudes nas licitações. Eles falaram aos jornalistas antes do depoimento do prefeito ser revelado.
Segundo Cito, as citações de Karin que o incriminam teriam sido motivadas por ''retaliação'' depois do depoimento dele na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Educação na Câmara de Vereadores. ''Eu estava preso e não pude falar com a imprensa. Depois, o Rony Alves (presidente da CEI) disse que eu tinha colocado toda a culpa nela e aí uma rixa se criou.''
Lindomar voltou a dizer que está ''tranquilo'' quanto às acusações de que teria recebido propina. ''As pessoas estão falando, denunciando, mas eu estou muito tranquilo com relação a isso tudo.'' A primeira passagem dele pela Fazenda durou até maio de 2011. Lindomar voltou na administração de Joaquim Ribeiro, mas pediu demissão na segunda-feira.
O empresário Marcos Ramos, dono da G8, que segue preso no 4º Distrito Policial, preferiu o silêncio diante do delegado do Gaeco. Segundo o advogado Valter Bittar, o empresário não pagou propina a nenhum agente público de Londrina e deve se manifestar apenas em juízo, perante o TJ. ''Vamos demonstrar que os fatos não são desta forma como estão sendo colocados.'' Bittar afirmou que tem elementos suficientes para comprovar que ''não houve fraude por parte do meu cliente''. Ele informou que pediu ao TJ uma nova apreciação da liminar negada na semana passada, pedindo a soltura do empresário.


