Ribas Carli recua e ameniza as críticas a Jaime Lerner
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Curitiba 
O deputado federal Fernando Ribas Carli (foto) aproveitou a festa de filiação ao PPB, ontem, para anunciar a sua disponibilidade em concorrer à Assembléia Legislativa e amenizar as críticas que formulou contra o governador Jaime Lerner (PFL) na semana passada. Enciumado com o tratamento vip e com o espaço político oferecido por Lerner ao deputado estadual Cesar Silvestri (PTB), seu tradicional adversário político em Guarapuava, Carli disse que as suas declarações não passaram de colocações de um amigo que tenta falar a verdade.
O deputado acusou o governador de, numa obsessão pela reeleição, beneficiar os inimigos políticos. Irritado com o fortalecimento político de seu adversário local, Carli tentará, com uma possível candidatura a deputado estadual, reestruturar os apoios na sua base eleitoral, arranhada com a nova condição de aliado oficial de Cesar Silvestri. Carli fez jogo de cena às vésperas do fim do prazo para as filiações dos interessados em candidatar-se às eleições do ano que vem e conversou com o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, ameaçando filiação ao PSDB.
A chantagem não sensibilizou o governador, que continua entendendo como mais vantajosa a manutenção de ambos no grupo. Conformado, o deputado federal disse ontem que vai apoiar a releeição do governador, desde que essa seja a orientação do PPB. Eu sempre respeitei as decisões de partido. Não fui para o PSDB porque sou um costumeiro crítico do governo federal. Atrelado aos tucanos, eu teria de fazer elogios, avalia o parlamentar, que diz não se sentir preterido pelo governador do Paraná e que a conversa com o PSDB só ocorreu pela intensa amizade com o ex-governador Álvaro Dias.
Carli disse que, depois de filiado no PDT por 12 anos, optou pelo PPB por uma questão de convicção. Segundo ele, a flexibilidade do partido foi um dos motivos principais. O PPB tem dado apoio ao governo Fernando Henrique, mas ao mesmo tempo também tem feito críticas. Isso para mim é importante, porque me deixa mais à vontade, analisou. O rejeição pelo PTB, alegou, se deu porque o partido é inexpressivo e não tem linha alguma, inclusive no Paraná. É um estepe recauchutado, um partido que toma decisões ao sabor do vento, classificou.
A ira do parlamentar com o PTB não teria razões ideológicas porque ao contrário do que disse, os petebistas sempre manifestaram apoio político ao governo sem mudarem de decisões ao sabor do vento. Os bastidores dão conta que Carli ficou magoado com a direção estadual que abrigou Silvestri no partido sem ter-lhe oferecido espaço. Amigos, o Lerner tem poucos. Existem muitos de ocasião, sugere Carli, referindo-se a Silvestri. (L.D.)


