Curitiba - Um relatório inédito feito pela Receita Federal aponta cerca de 2,4 mil pessoas físicas e jurídicas como as verdadeiras responsáveis pelo envio de US$ 1,8 bilhão para o Exterior. Aparecem vários nomes repetitos, perfazendo um total de 3,8 mil pessoas físicas e jurídicas que seriam supostamente responsáveis pelo envio de recursos para o Exterior usando nomes de terceiros. O levantamento detalha que todos os nominados teriam se utilizado de ''laranjas'' (pessoas que emprestam os nomes e documentos para operações ilícitas). O relatório foi enviado para 16 varas federais de todo o Brasil pelo juiz Sérgio Moro, da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba.
Essa foi a primeira vez que os donos dos recursos foram identificados. O relatório aponta os laranjas que fizeram as remessas e os representados por eles, ou seja, os verdadeiros remetentes dos recursos. Depois do recesso da Justiça, os responsáveis pelas operações serão intimados e poderão responder pelos crimes de sonegação fiscal (não declaração de valores enviados para fora do País), evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram detalhadas 21 mil operações financeiras.
Foram identificadas 2 mil empresas que enviaram US$ 1,2 bilhão para o Exterior entre 1995 e 1997 (algumas com os mesmos sócios e que são contabilizadas no relatório como uma única empresa). Outras 1,8 mil pessoas físicas (muitas aparecem várias vezes com transações financeiras variadas e usando doleiros e laranjas diversos) enviaram US$ 635 milhões entre 1998 e 1999. As transações foram feitas principalmente nas agências bancárias de Foz do Iguaçu, que foram beneficiadas com licença especial para movimentar as chamadas contas CC-5 (criadas para movimentar recursos de pessoas estrangeiras que estavam morando no Brasil e brasileiros que moravam fora do País). Tinham licença para este tipo de operação o Banestado, Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), Araucária, Real e Banco do Brasil.
Com as licenças especiais, os brasileiros puderam operar livremente em várias agências bancárias sem a necessidade de que os bancos comunicassem a remessa de valores ao Banco Central. O relatório da Receita Federal mostrou ainda que os laranjas operavam de forma profissional, sempre em contato com bancos, empresas e doleiros como Alberto Youssef, Antonio Oliveira Claramunt (conhecido como Toninho Barcelona) e Salvador Angelo Oliveira Claramunt.
As contas detalhadas pela Receita Federal foram provenientes de recursos depositados na agência do Banestado em Nova York e na financeira Beacon Hill Service Corporation. O trabalho investigativo de identificação de pessoas ainda não terminou.

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