Revistas questionam patrimônio de José Janene
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de junho de 2005
Reportagem Local 
Duas das maiores revistas do País estampam em suas edições que chegaram às bancas neste final de semana, levantamentos sobre a evolução patrimonial durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do deputado federal José Janene (PP) e do assessor da liderança do PP, João Cláudio Carvalho Genu, apontado como o ''homem da mala''. Janene foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB) de ser responsável por distribuir o mensalão entre os deputados do partido.
A Revista IstoÉ levantou como o ''deputado José Janene saiu da pindaíba para a riqueza na fase áurea da mesada'', diz um trecho da chamada da reportagem no site da revista. A revista aponta que em 1998, o patrimônio do deputado declarado à Justiça Eleitoral, era de R$ 900 mil. Documentos obtidos pela IstoÉ em cartórios, órgãos oficiais e sindicatos rurais mostram que entre 2003 e 2004, Janene e sua mulher, Stael Fernanda, adquiriram 11 fazendas e veículos importados avaliados em cerca de R$ 7 milhões. A renda do casal seria de R$ 200 mil anuais, segundo a reportagem. A IstoÉ relembra também o fato dos bens de Janene terem sido indisponibilizados pela Justiça em uma ação de improbidade administrativa em Londrina. A revista ainda traz uma matéria sobre a citação do deputado em 19 ações civis públicas e 1 criminal no escândalo AMA-Comurb. ''O político também é um dos envolvidos naquele que é considerado o maior escândalo da história de Londrina, próspera cidade do norte do Paraná. Janene é investigado por ser um dos possíveis beneficiários de um esquema de corrupção em licitações públicas realizadas na Autarquia Municipal do Meio Ambiente (AMA) e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O desvio, que pode ter custado mais de R$ 100 milhões aos cofres da cidade, ocorreu durante o terceiro mandato de Antônio Belinati'', afirma a reportagem.
A IstoÉ ainda afirma que o Genu, apesar de receber rendimentos de R$ 80 mil em 2004, possui uma casa no setor de mansões em Brasília, avaliada em R$ 500 mil e um apartamento de R$ 250 mil.
A capa da Revista Época, traz a foto do assessor da liderança do PP sob o título ''O homem da mala. Quem é e como agia João Cláudio Carvalho Genu, assessor do deputado José Janene, encarregado de pagar o mensalão aos deputados do PP''.
Na versão eletrônica da revista está disponível um trecho da reportagem que coloca Genu como um dos responsáveis ''pela logística da operação. O mensalão vinha sendo usado para atrair novos deputados e para garantir que alguns deles seguissem fielmente as orientações do partido'', diz a revista.
Procurado pela Folha, Janene confirmou que Genu é assessor da liderança do PP e disse que não iria comentar a reportagem da IstoÉ. ''Só quero dizer que vão ter que provar e como não me entrevistaram não vou comentar'', afirmou. A edição da Revista Época foi considerada ''esdrúxula'' pelo deputado, que negou qualquer envolvimento com o mensalão. ''É esdrúxula a denúncia. Não adianta querer carimbar assessor. Quem tem o controle absoluto do governo é o Partido dos Trabalhadores. Nada acontece sem o crivo do Palácio do Planalto. Não quero ser leviano, mas tenho uma leitura clara que alguém está por trás disso'', argumentou. ''O PP não tem nenhum cargo dentro do governo. Desde que assumi a liderança adotei a postura de enfrentamento ao governo e ao PT. Não existe absolutamente nada em relação ao PP. Quem tem relação com o governo é o PTB, que tem cargos, ministério. Não vão nos levar para o olho do furacão'', concluiu Janene.


