Revista liga empresa de Londrina a caso dos Correios
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O empresário Assad Jananni, ex-vice-prefeito de Londrina (1993-1996) e irmão do ex-deputado federal José Janene (PP), réu no Mensalão falecido em 2010, negou que sua empresa a JN Rent a Car, cujo nome fantasia é Renacar faça parte de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato. Conforme denúncia publicada neste final de semana pela Revista IstoÉ, que cita como fonte inquérito da Polícia Federal, há indícios de que o doleiro operou, por meio da JN, nos Correios, que mantinha contratos de locação de veículos com a empresa londrinense.
De acordo com a reportagem, a JN teria recebido em 8 anos mais de R$ 77,5 milhões dos Correios, por meio de contratos que seriam constantemente aditivados, e a comprovação da ligação entre o doleiro e o empresário se daria pela compensação, em janeiro de 2009, de um cheque de R$ 204 mil emitido pela MO Consultoria, de Youssef, em favor da locadora.
Jananni afirmou que prestou serviço aos Correios até 2010, quando a estatal rescindiu unilateralmente o contrato, em razão de irregularidades, como a não renovação da frota. Disse ter sido multado em 20% do valor do contrato e ter sido suspenso da participação de licitações nos Correios por um ano. O Tribunal de Conta da União (TCU) também auditou os contratos entre a empresa e os Correios e, segundo Jananni, encontrou "alguns problemas". "Pagamos multa em decorrência desta auditoria." Segundo ele, sua empresa, desde a fundação, em 2005, sempre alugou carros para o poder público mas "todas as licitações de que participou foram por meio de pregão eletrônico, que é a modalidade mais segura que existe".
O empresário também negou ser testa de ferro do irmão deputado, conforme afirma a revista. "Quando abri esta empresa estava de relações cortadas com meu irmão há mais de quatro anos" em razão de uma desavença política. No entanto, confirma que tem "relação comercial" com Youssef. "Ele é cliente da loja desde o início; fui apresentado por meu antigo sócio", comentou. "Meu irmão também pediu que eu alugasse carros para ele." O valor de R$ 200 mil citado pela IstoÉ, segundo Jananni, é fruto de um pagamento feito por Youssef por carros locados. "Foi somente isso."
Jananni disse ainda já ter sido ouvido pela PF sobre os contratos com os Correios no começo de 2011. Seu sigilo fiscal e bancário, afirmou, também já foram quebrados por ordem judicial em atendimento a pedido da polícia. O empresário já foi secretário municipal, presidente da Sercomtel e Cohab e seu último cargo público foi a chefia de gabinete do então deputado estadual Barbosa Neto (PDT). Os Correios não atenderam a solicitação de informações sobre os contratos mantidos com a JN.


