São Paulo- A revista ‘‘Época’’ desta semana afirma que o empresário Benjamin Steinbruch, líder do consórcio vencedor do leilão da Vale do Rio Doce em 1997, pagou ‘‘a maior parte’’ dos R$ 15 milhões pedidos pelo ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira. Segundo fontes não reveladas pela reportagem, Steinbruch pensava que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB. ‘‘Ao descobrir que o dinheiro era embolsado por Ricardo Sérgio e seus amigos, decidiu que não pagaria nem mais um tostão’’, disse a fonte à ‘‘Época’’ .
O caso do pedido de propina feita por Ricardo Sérgio de Oliveira foi o tema de capa da revista ‘‘Veja’’ na edição da semana passada e repercutiu durante toda a semana. A reportagem informava que Ricardo Sérgio havia feito um pedido de R$ 15 milhões a Steinbruch para capitalizar seu consórcio com dinheiro dos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica Federal. ‘‘Veja’’ , no entanto, não revelava se Steinbruch efetuara - ou não - o pagamento da propina.
Ainda segundo a Época , a intenção inicial do consórcio vitorioso era fazer os pagamentos ilegais com o dinheiro da própria Vale, mas alguns dos diretores da empresa resistiram à idéia. Uma testemunha disse que um desses executivos, Gabriel Stoliar, então diretor financeiro, e que até hoje trabalha na Vale, telefonou para outros dirigentes e acionistas e revelou que estava sob pressão para liberar o dinheiro. Stoliar teria alegado, além da irregularidade inerente, que a operação seria descoberta em auditoria, já que a Vale é uma empresa de capital aberto.
Stoliar não falou à ‘‘Época’’ sobre o assunto. Ricardo Sérgio de Oliveira e Benjamin Steinbruch também não quiseram falar. No meio da semana, Ricardo Sérgio divulgou uma nota em que negava o pedido de propina e classificava a versão divulgada pela ‘‘Veja’’ de ‘‘mentira sórdida’’.
A revista ‘‘Época’’ desta semana também traz a informação de que dois empresários faziam a ponte entre Steinbruch e Ricardo Sérgio - José Brafman e Miguel Ethel. Sua participação no episódio teria sido necessária para ‘‘azeitar o relacionamento com Ricardo Sérgio e os fundos de pensão de estatais’’. Funcionários da Vale disseram à ‘‘Época’’ que Brafman e Ethel tomaram conta da companhia depois do leilão.

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