Curitiba - A solenidade de homenagem aos 50 anos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) na Bolsa de Valores de Nova York trouxe dores de cabeça ao governador Roberto Requião (PMDB) ontem. Uma reportagem de três páginas da Revista Época detalhou os gastos da comitiva levada pelo governador para um período de cinco dias nos Estados Unidos. Além da primeira-dama, viajaram por conta dos cofres estaduais o chefe de gabinete Vanderlei Iensen; o secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Renato Adur; a preside nte do Museu Oscar Niemeyer, Margarita Sansoni; e a assessora de Maristela Requião, Rebeca Pinheiro.
Segundo a revista, a maior parte ficou hospedada no hotel Elysée, que tem diárias que variam entre US$ 225 e US$ 345. Outras quatro pessoas foram custeadas pela Copel: o presidente Paulo Pimentel; o diretor de Gestão Corporativa, Ronald Reveditti; o supervisor de Relações com Investidores da Copel, Ricardo Portugal; e a gerente de Relações com Investidores da Copel, Solange Gomide. O Tribunal de Contas (TC) teve como representante o conselheiro Artagão de Mattos Leão, antigo aliado de Requião e que segundo o governador viajou para ''fiscalizar a homenagem à Copel e a receptividade dos investidores norte-americanos''.
Um deputado custeado pela Assembléia Legislativa também fez parte da comitiva: Rafael Greca (PMDB), marido de Margarita Sansone. A revista faz críticas ao que chama de ''feriadão de Requião'', que rebateu ontem numa rápida entrevista à impresa, depois de uma solenidade em Curitiba. ''Essa revista é entreguista e quer acabar com os programas sociais desenvolvidos pela Copel e pelo estado do Paraná. Ela (a revista) tem horror a minha postura nacionalista'', disse irritado. Requião explicou que levou com ele o chefe de gabinete e não seis ou sete seguranças, como fazem os demais governadores brasileiros.
''Eram reuniões de trabalho que eu tinha programado e fui para essas reuniões com meus assessores'', explicou. Os assessores levaram suas mulheres, mas pagaram as contas delas com recursos próprios. A primeira-dama Maristela Requião e Margarita Sansoni teriam ido para os Estados Unidos adiantar uma visita que fariam dez dias depois, para tratar de assuntos ligados ao Museu Oscar Niemeyer. ''Ela iria de qualquer forma. Adiantou a viagem e visitou quatro museus, agendando exposições culturais para o Paraná'', explicou ele. Requião também entrou em defesa do conselheiro Artagão de Mattos Leão, dizendo que ele vai apresentar um relatório sobre a cerimônia na Bolsa de Valores de Nova York ao Tribunal de Contas (TC). ''Ele foi lá exercer o papel de fiscalizador'', garantiu Requião. Mattos Leão está desde 1991 no TC.
Para Requião, a reportagem cumpre apenas o objetivo da revista de denegrir o governo do Paraná. ''É uma agressão pessoal a mim e um desserviço para o Paraná. Tivemos uma vitória consistente tirando a Copel do entreguismo e estão querendo questionar isso'', replicou. Fizeram parte da comitiva de Requião, 18 pessoas.

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