O escândalo de corrupção em Londrina durante a administração do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), que gerou dois afastamentos do cargo e a cassação do seu mandato em 2000, ganhará ainda mais publicidade a partir do dia primeiro de junho. A edição mensal da revista Seleções, da editora americana Reader's Digest, trará uma reportagem sobre as investigações do caso AMA-Comurb pelo Ministério Público (MP), que será publicada no Brasil e nos países de língua espanhola, dentre os 48 países em que a revista é editada.
Sob o título ''O bem venceu'', o repórter Daniel Rome Levine expõe detalhes desde o início da investigação, em fevereiro de 1999, com a denúncia de adulteração nas planilhas de capina e roçagem da extinta Autarquia do Meio Ambiente (AMA, hoje Secretaria do Meio Ambiente), passando pelas atuações dos movimentos da Moralidade na Administração Pública de Londrina e o da Legalidade criados pela sociedade organizada durante o período da cassação de Belinati, até o cálculo de quantos anos seria a condenação do ex-prefeito caso considerado culpado nas ações ajuizadas pelo MP: cerca de 30 anos conforme a revista.
Durante quase um mês, o repórter americano entrevistou envolvidos no caso, os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin, o procurador de Justiça Bruno Galati e tirou cópias de milhares de documentos públicos anexados às ações.
''Evidente que ficamos muito lisonjeados com a matéria. É uma revista internacional. O único senão foi o aspecto pouco personalista que o repórter americano deu e individualizou as ações em mim, mas nós (promotores) sempre trabalhamos em grupo'', afirmou Galati.
O escândalo AMA-Comurb ganhou repercussão internacional em outubro de 2001, quando os três promotores e o integrante do Movimento pela Moralidade Valter Orsi, receberam em Praga, capital da República Tcheca, o prêmio Integridade 2001, concedido para organização não-governamental Transparência Internacional. O prêmio também foi dado a outros quatro trabalhos distribuídos pelos cinco continentes, como reconhecimento à atuação no combate à corrupção.
A Folha tentou entrar em contato com o advogado do ex-prefeito, Antonio Carlos de Andrade Vianna, mas ele não foi localizado para comentar a reportagem.

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