São Paulo - Revisor do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Ricardo Lewandowski concluiu ontem a análise da denúncia de corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra réus ligados ao PP. Ele condenou o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) e o ex-assessor do partido João Claudio Genu por corrupção passiva e formação de quadrilha, mas os absolveu do crime de lavagem de dinheiro.
Segundo o revisor, eles teriam se associado ao ex-deputado federal paranaense José Janene (PP), morto em 2010. ''Ficou comprovado a estabilidade e o vínculo objetivo entre os réus a fim de cometer crimes. Eles estavam associados para a prática de crime.''
O revisor condenou ainda o sócio da corretora Bônus Banval Enivaldo Quadrado, acusado de participar da lavagem de dinheiro para o PP. Divergindo do relator do processo, o revisor inocentou o deputado Pedro Henry (PP-MT) das acusações de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e o sócio da corretora Breno Fischberg.
Ao condenar o ex-assessor João Cláudio Genu, o ministro afirmou que ele não ''não era mero intermediário'' do PP para receber recursos do esquema. ''É difícil acreditar que um economista que prestou serviços a deputados, além de já ter sido tesoureiro do PFL e secretário-geral do partido, tenha atuado apenas como interposta pessoa para repassar os valores.''
Ao inocentá-lo do crime de lavagem, o ministro afirmou que ''não há prova da ciência por parte de Genu dos crimes anteriores''. Portanto, ele considerou que o acusado não sabia que os recursos recebidos do partido tinham origem ilícita.
Sobre Enivaldo Quadrado, o ministro afirmou que o ex-deputado José Janene, morto em 2010, apresentou a Bônus Banval ao empresário Marcos Valério para participar do sistema. Para o revisor, o empresário queria uma nova maneira de repassar o dinheiro sem precisar transferir os recursos e teria negociado o sistema com Quadrado.
O ministro rejeitou a tese da defesa de que Valério queria comprar a corretora e, por isso, tiveram encontros. ''A defesa não logrou comprovar o interesse de Valério em adquirir a corretora'', afirmou.
Sobre a participação de Fischberg, sócio da corretora, Lewandowski disse que ficou com ''dúvidas''. ''Não tenho, não cheguei a certeza moral para a condenação de Breno Fisheberg. Em nenhum momento foi feita qualquer referência ao nome do réu (Breno Fishberg)'', disse.
A denúncia apontou que a corretora recebeu R$ 11 milhões para repassar ao PP. Na avaliação do revisor, os altos valores dos saques em espécie não teriam sido feitos por Quadrado se o objetivo não fosse para ocultar a origem.
Deputados
Na semana passada, Lewandowski divergiu do voto do relator, Joaquim Barbosa, e votou pela absolvição do deputado Pedro Henry. O ministro disse que o Ministério Público Federal ''não comprovou minimamente'' a participação do pepista no esquema.
Disse ainda que há ''ausência total de participação de Pedro Henry nesses negócios espúrios'' e votou por absolvê-lo ''ante a generalidade e a vagueza sobre as imputações contra o réu''.
Com relação ao ex-deputado Pedro Corrêa, Lewandowski acatou as acusações e o condenou por corrupção passiva, mas inocentou da acusação da lavagem de dinheiro.

mockup