O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu ontem a cassação do mandato do prefeito de Cascavel, Edgar Bueno (PDT), até o trânsito em julgado da ação que o acusa de fraude por ter veiculado, durante o horário eleitoral gratuito em 2012, que seu adversário no pleito, Professor Lemos (PT), não tinha residência na cidade. Bueno e o vice, Maurício Theodoro (PSDB), foram reempossados na tarde de ontem.
O advogado de Lemos, Guilherme Gonçalves, afirmou que vai entrar com pedido de reconsideração para manter o prefeito afastado até o trânsito em julgado. O pedido será protocolado na semana que vem, quando o TSE retorna do recesso.
Em novembro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná reformou sentença de primeira instância e condenou Bueno e Theodoro à cassação dos mandatos. A Corte considerou que houve falsidade na afirmação de que Lemos, que é deputado estadual, não resida em Cascavel. O parlamentar é professor do Colégio Cataratas, mas está afastado devido às atividades na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná.
Apesar de reformar a sentença, o TRE permitiu que Bueno e Theodoro permanecessem nos cargos enquanto era discutida a admissibilidade de recurso no TSE. Porém, quando o processo subiu à instância superior, a liminar perdeu a validade e o juiz eleitoral Willian da Costa determinou a execução da sentença.
Na segunda-feira, Bueno e seu vice foram afastados e o presidente da Câmara, Márcio Pacheco (PPL), assumiu interinamente para que diplomasse Lemos na tarde de ontem. O clima de instabilidade política na cidade se agravou: ao tomar posse, o interino anunciou que demitiria os secretários de Administração, Fazenda, Comunicação Social e Jurídico.
Na ocasião, Pacheco afirmou que, mesmo com governo provisório, precisaria alterar membros do governo por pessoas de confiança por serem peças-chave nas decisões administrativas. Isso provocou debandada da equipe de Bueno: outros 17 funcionários de confiança pediram exoneração.
Após ser reempossado, Bueno afirmou que a decisão do TSE é "coerente" e atacou Lemos. "Sabia que os argumentos eram muito fortes. Além disso, eu falei a verdade, que meu adversário não tem residência em Cascavel. Ele só tem domicílio eleitoral", disse.

Contas reprovadas
No mesmo dia em que o juiz eleitoral de Cascavel determinou a diplomação de Professor Lemos como prefeito, na segunda-feira, o TRE manteve a reprovação das contas de campanha de Lemos, devido à ausência de comprovação de gastos de R$ 49 mil arrecadados em um jantar. A defesa do deputado disse que vai recorrer ao TSE.

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