Revelação pode mudar caso Mariluz
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segunda-feira, 04 de junho de 2001
Dimitri do ValleDe Curitiba 
Uma rixa revelada ontem pode mudar as investigações sobre os assassinatos do vice-prefeito de Mariluz, Ayres Domingues (PPS), e do presidente do partido, Carlos Alberto de Carvalho (Carlinhos Gordo). O ex-secretário de Ação Social, Élcio de Farias, foi investigado por supostas irregularidades à frente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rancho Alegre (60 km a oeste de Cornélio Procópio). Carlinhos Gordo estava produzindo um dossiê sobre o caso. No depoimento de um dos envolvidos nas mortes, Farias chegou a fazer ameaças contra Carlinhos.
Domingues e Carlinhos foram mortos pelo ex-PM José Lucas Gomes no começo de março. O prefeito, padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), foi acusado por Farias de ser o mandante das mortes. Farias, Adelino e Alexsandro do Nascimento, ex-diretor do Departamento de Compras da Prefeitura, estão presos. A suspeita de que Farias tramava contra Carlinhos está registrada no depoimento que Nascimento deu ao Ministério Público em abril. A Folha teve acesso ontem ao depoimento.
De acordo com Nascimento, nos dias anteriores aos assassinatos, Farias falou a ele que Carlinhos se preparava para denunciá-lo por eventuais irregularidades por ocasião da administração do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rancho Alegre. Carlinhos estaria juntando provas de que Farias embolsava aposentadorias de agricultores. Farias teria dito a Nascimento que iria pedir para uma pessoa dar uma prensa em Carlinhos, porque ele não sabia com quem estava mexendo.
Nascimento afirmou que Farias não revelou quem executaria o serviço, mas reforçou que faria com o (Carlinhos) Gordo o mesmo que fez com um senador. Freitas estaria se referindo ao senador Olavo Pires (PMDB), assassinado em 1990 durante a eleição para o governo de Rondônia. Na época, ele era um dos assessores de Pires. Depois, Farias se mudou para o interior do Paraná. A morte do senador ainda é um mistério.
Outra tese de que Farias seria o principal interessado na morte de Carlinhos Gordo está no depoimento do ex-PM José Lucas Gomes, contratado para executar o crime. Gomes inocentou padre Adelino e disse que foi contratado por Farias para cometer o assassinato. O ex-PM alegou que foi torturado para confessar que o padre-prefeito planejou as mortes. A polícia negou a prática.
A defesa do prefeito de Mariluz ingressou ontem no Tribunal de Justiça com um pedido para que ele fique em prisão domiciliar. Adelino está recolhido no Batalhão de Polícia de Guarda, no Presídio do Ahú, em Curitiba. Ele deveria ser transferido para o batalhão de Cruzeiro do Oeste. O comando do quartel alegou não dispor de instalações para receber o prefeito. Com base na recusa, a defesa quer que o padre permaneça preso em casa até o julgamento.


