'Revanchistas derrotados' me acusam, diz coronel
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
Italo Nogueira<br> Folhapress 
São Paulo - O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra classificou ontem como ''revanchistas derrotados'' os autores do processo que o aponta como torturador durante o regime militar (1964-1985). A ação é movida em São Paulo por cinco integrantes de uma mesma família. Para o ex-comandante do Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações -Centro de Operações de Defesa Interna) de SP, os acusadores colocam ''no banco dos réus aqueles que venceram''.
Todos os 500 lugares do salão nobre do Clube Militar, no centro do Rio, estavam ocupados para o almoço em apoio ao oficial. Compareceram ao menos dois ex-ministros: Zenildo Zoroastro de Lucena (Exército) e o general-de-exército Bayma Dennis (Transportes). ''Viemos aqui apoiar o nosso amigo Ustra'', disse Lucena. Também estava presente o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Após discurso, Ustra afirmou que um grupo de civis estuda propor ação declaratória contra militantes que lutaram contra a ditadura e ''praticaram atos terroristas''. De 1967 a 1974, grupos de esquerda se engajaram na luta armada contra a ditadura, período em que se concentraram as mortes e desaparecimentos desses militantes, assim como vítimas de ações da guerrilha.
Ao todo, 376 vítimas teriam sido mortas pelo regime, mas críticos de grupos de esquerda afirmam que estes mataram 119 pessoas em confrontos ou atentados na época, dos quais eram 43 civis. De acordo com Ustra, a ação serviria ''para aqueles que comprovadamente cometeram atos de terrorismo serem declarados terroristas''.
Citou como exemplo de ''terroristas'' o chefe da Casa Civil de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, e o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ). O coronel não apontou os integrantes do grupo que estuda propor a ação contra os ex-militantes. Afirmou que a proposta ''está em andamento ainda''.
O processo seria semelhante ao movido pelo casal Maria Amélia e César Teles, os filhos Janaína e Edson, e Criméia de Almeida, irmã de Amélia: ação declaratória, sem visar indenização pecuniária ou punição.
Em seu discurso, Ustra pediu para os interlocutores que não se ''iludissem''. ''Sou o primeiro! Amanhã serão outros. É a vingança dos derrotados de 1964, muitos dos quais hoje se encontram no poder''. Para o militar, a intenção dos militantes de esquerda é revogar a Lei de Anistia (1979).
Levantamento feito pela Arquidiocese de São Paulo apontou a unidade militar, na época em que era comandada por Ustra, como um dos principais centros de tortura e morte de opositores políticos durante o regime militar.


