Réus da Voldemort pedem absolvição
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quarta-feira, 03 de agosto de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Parte dos réus da Operação Voldemort apresentou as alegações finais no processo que tramita na 3ª Vara Criminal e, em comum, pediram a absolvição dos crimes de formação de organização criminosa, fraude em licitação e falsidade ideológica no episódio da contratação da oficina Providence, de Cambé, pelo governo estadual Estado para a manutenção da frota do Estado. As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) começaram no segundo semestre de 2014 e a operação foi deflagrada em março de 2015.
São acusados Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), que seria, segundo o Ministério Público (MP), o verdadeiro dono da oficina, juntamente com Roberto Tsuneda, e líder da organização criminosa; Ismar Ieger, mecânico e "laranja" na oficina; o advogado José Carlos Lucca; o então diretor do departamento que fez a contratação da Providence, Ernani Delicato; o empresário Paulo Midauar; e o policial militar Ricardo Batista.
A principal tese dos réus é que não há elementos para demonstrar a organização criminosa; que não há crime de fraude a licitação porque o entendimento predominante nos tribunais seria que, necessariamente, deve haver prejuízo ao erário para a configuração de tal delito; e que, mesmo que tivessem havido tais delitos, não se conseguiria demonstrar a falsidade ideológica (sobre a titularidade da Providence), uma vez que teria a conduta teria sido meio para o crime final (de fraudar licitação).
Sobre o crime de fraude a licitação, os réus ressaltaram que não houve pagamento pela Secretaria de Estado de Administração e Previdência (Seap) à Providence pelos serviços prestados. O contrato emergencial tinha valor total de R$ 1,5 milhão por 180 dias. Os acusados alegaram também várias nulidades no processo, como cerceamento de defesa e ilegalidade de escutas telefônicas.
No mérito, todos negaram os fatos. A defesa de Abi, por exemplo, repetindo as declarações do empresário durante o interrogatório, negou que ele seja o dono da Providence; disse que sua empresa, a KLM, apenas alugou o imóvel para a oficina e fez investimentos em equipamentos.
Ieger e Midauar foram intimados ontem a apresentar as alegações finais em 24 horas, já que o prazo expirou na terça-feira; Lucca apresentou duas peças por advogados distintos e também foi notificado para regularização. Depois desse prazo, o juiz Juliano Nanuncio poderá proferir a sentença.


