Réus da Lava Jato ficam em silêncio durante interrogatório
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque ficaram em silêncio em seus interrogatórios durante audiência realizada na tarde de ontem, na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba. Os dois são réus em processos que tramitam na 13ª Vara Federal Criminal que apuram crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Quem também ficou em silêncio foi Mário Góes, apontado como operador do esquema de desvios de dinheiro da estatal. Ele não respondeu às perguntas e, por algumas vezes, chorou durante a audiência. Também são réus no réus no processo o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa; Júlio Camargo, empresário e ex-representante da Toyo Setal; Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, presidente da Toyo Setal; e Pedro Barusco Filho, ex-gerente de Serviços da Petrobras; além de Adir Assad, Lucélio Roberto Góes; Dário Teixeira Alves Junior e Sonia Mariza Branco.
De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF), Vaccari participava de reuniões com Duque para tratar de pagamentos de propina, que era acertada por meio de doações oficiais ao PT. Dessa maneira, os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundas de propina. O MPF aponta que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,2 milhões.
Segundo o advogado de Duque, Alexandre Lopes, seu cliente ficou em silêncio por orientação da defesa. "Não adianta ele (Duque) prestar um depoimento, se autodefender para um juiz que já o condenou mesmo sem ter proferido a sentença. Então, mesmo não sendo vontade dele, a defesa preferiu que ele não falasse. Essa foi a nossa percepção até pelas próprias atitudes do juiz, já levantamos a suspeição dele no processo, ele é, processualmente incompetente para julgar a causa ", afirmou. A defesa de Vaccari não quis falar com a imprensa.
Os executivos da Odebrecht que permanecem presos na PF seguiram a orientação dos advogados e ficaram em silêncio nos depoimentos de ontem à tarde na Superintendência do órgão, em Curitiba. Pela manhã, o presidente da empresa, Marcelo Bahia Odebrecht depôs sobre o bilhete que foi apreendido por um agente da PF. Segundo a advogada Dora Cavalcanti, o episódio já foi superado. "Ele deixou claríssimo que aquela anotação destruir e-mail nada mais era do que aniquilar o conteúdo do e-mail resgatando seu histórico" declarou.


