Mais de duas horas de reunião, críticas e muita argumentação pró e contra a greve - mas nada de efetivo pela reabertura das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Londrina ou mesmo pelo início de negociação entre Prefeitura e categoria. Esse foi o saldo de uma reunião ontem à tarde na Câmara de Vereadores entre parlamentares e representantes do Conselho Municipal de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A reunião foi pedida semana passada à Comissão de Seguridade Social da Casa, pelo Conselho. A princípio, ela serviria para debater a necessidade de uma audiência pública que avaliasse medidas pela reabertura das UBSs. Pelos cálculos da administração, a greve manteve em funcionamento parcial apenas 30 unidades - 18 na zona urbana, e 12 na rural. Ao final, contudo, a audiência proposta abrangeria a discussão dos efeitos da greve em todas as áreas públicas. O pedido voltou à Mesa Executiva da Câmara, para análise.
Durante a reunião, representantes da Saúde municipal minimizaram os problemas trazidos pelos mais de 80 dias e reforçaram o que vem sendo feito até agora para contornar a situação. ''As 30 unidades abertas parcialmente são o máximo que podemos oferecer para garantir um atendimento mínimo'', disse a secretária Josemari de Arruda Campos. Em seguida, a diretora de Ações em Saúde, Sônia Nery, informou que as ações de prevenção são as mais prejudicadas, apesar de o atendimento a doentes crônicos acamados não ter sentido grande diferença. O diretor de Serviços Especiais, Sérgio Canavese, reiterou o prejuízo na prevenção e apontou sobrecarga de trabalho nos postos 16 e 24 horas.
Os argumentos da administração foram rebatidos por conselheiros - entre os quais, diretores do Sindserv. ''O posto do União da Vitória está com o freezer quebrado há mais de dois meses, e isso é prevenção? No PAI (Pronto Atendimento Infantil) o raio-x está sem funcionar, e nenhum servidor municipal está credenciado para consertar o equipamento - isso é culpa da greve?'', questionou o diretor de formação do Sindserv e conselheiro, Marcos Ratto.
Segundo Ratto, a partir de ontem mesmo o sindicato iniciaria em 20 grupos o trabalho de convencimento para fechamento dos postos, além de reuniões diárias em frente à prefeitura. ''O alvo são os postos 16 e 24 horas, e os pronto-atendimentos'', afirmou, confiante no recurso ingressado ontem pela assessoria jurídica do Sindserv, no Tribunal de Justiça (TJ), contra a ordem pela reabertura das UBSs e contra a autorização de desconto dos dias parados.
Revoltada, uma das conselheiras conclamou: ''A situação está insustentável, e não apenas na Saúde. Se nossos representantes legais são o prefeito e os vereadores, eles que dêem um jeito nisso, senão a comunidade terá que ir à rua e administrar'', desabafou.
A respeito da liminar do TJ que autorizou descontar os dias parados, informou ontem a assessoria do Executivo, a medida deve ser cumprida hoje, dia de pagamento. Entretanto, o órgão não soube informar se isso seria feito na íntegra - e nem os secretários Jacks Dias (Gestão Pública) e Wilson Sella (Fazenda) explicaram, pois não atenderam os telefones.

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