O presidente do diretório regional do PSDB, Hélio Duque, promete requerer hoje na Polícia Federal a instauração de um inquérito contra o vice-presidente do partido, Teobaldo Machado, por ‘‘crime de falsidade ideológica e falsificação de documento’’. Duque e os tucanos contrários à filiação do governador Jaime Lerner (PDT) acusam Machado de ‘‘ter dado um golpe’’ e de ter ‘‘usurpado de suas funções’’ durante a reunião da executiva, na última terça-feira.
A reunião aprovou convite do PSDB ao governador por seis votos a zero, depois de Duque, o secretário-geral, Antenor Bonfim, e o deputado federal Flávio Arns terem considerado a reunião ‘‘encerrada’’.
O argumento jurídico utilizado pelo advogado Genésio de Natividade será que Machado assumiu de ‘‘má-f钒 o lugar de Duque na reunião ‘‘com a intenção de fraudar o encontro que já estava encerrado’’. ‘‘Ele (Machado) falsificou a ata e as pessoas que o acompanharam incorrerram em erro’’, argumenta o advogado. Segundo Natividade, ‘‘o convite autorizado pelos tucanos pró-Lerner não tem validade jurídica’’.
Em nota oficial distribuída ontem, Hélio Duque, Antenor Bonfim, o ex-governador Álvaro Dias, o senador Osmar Dias e os deputados federais Flávio Arns e Luiz Carlos Hauly - contrários ao ingresso de Lerner - reforçam a tese de que a reunião de terça ‘‘já estava encerrada quando um grupo de arrivistas ensaiou montar uma farsa, abrindo novamente a reunião’’.
A ala dos contra diz ainda ter estranhado a não manifestação do grupo de Machado em favor da filiação do governador, uma vez que foram os autores da auto-convocação. ‘‘Esse ato de indisciplina partidária e de infringência aos princípios éticos não deixará de ser exemplarmente punido’’, diz a nota, referindo-se ao encontro tucano marcado para o próximo dia 12. Nessa data, o diretório vai analisar um processo interno instaurado no ano passado contra Machado, por ele ter apoiado a candidatura do então adversário do PSDB, hoje prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi (PDT).
Luiz Carlos Hauly afirma que o processo de filiação do governador não passa de ‘‘uma estratégia logística’’ do próprio grupo de Lerner, que veria o PSDB como o único partido com condições de lhe garantir a reeleição ao governo em 98. O deputado diz que o Palácio Iguaçu encomendou uma pesquisa interna (da CBPA & Olsen) que apontou a necessidade de troca de sigla.‘‘Em momento algum o presidente Fernando Henrique ou lideranças nacionais do PSDB convidaram o governador. A decisão foi transferida ao diretório estadual’’, garante Hauly.
Os tucanos favoráveis à entrada do governador no PSDB sairam com nova ofensiva. Às 17 horas de ontem, protocolaram no Tribunal Regional Eleitoral uma cópia da ata que teria autorizado a executiva do partido a fazer o convite a Lerner. A intenção é lavrar o documento para garantir embasamento legal. Hauly diz que o documento inexiste: ‘‘O secretário geral do PSDB é o Antenor Bonfim, que saiu com a ata debaixo do braço, depois de encerrada a reunião’’, diz.
O filho do ex-senador José Richa - o mentor da iniciativa do convite -, Beto Richa, saiu em defesa do grupo pró-Lerner. ‘‘Se houve qualquer ilicitude, foi por parte deles’’, rebateu o deputado, que acusa Duque e Bonfim de terem ‘‘sumido com o livro ata’’. ‘‘O convite já foi feito e tem legitimidade’’, emenda Beto Richa.

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