A possibilidade jurídica de transferência dos 79 funcionários da Sercomtel Celular para a Fixa, em caso de venda, norteou ontem a reunião entre representantes da categoria e o grupo de vereadores que estuda a viabilidade técnica, jurídica e financeira da telefônica. O questionamento será encaminhado ao Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR), nos próximos dias, período em que os cinco integrantes da equipe também deverão convidar os diretores da telefonia móvel a uma próxima reunião.
Além dos cinco vereadores do grupo de estudos, também estiveram reunidos o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicação (Sinttel), João Henrique Shimidt, e uma comissão formada na entidade com dois funcionários da Celular e oito da Fixa. Nenhum deles permitiu o registro de imagens.
De acordo com o presidente do grupo, vereador Sidney de Souza (PTB), questões como estabilidade no emprego ou a absorção da equipe pela Fixa, em caso de venda da Celular, estiveram no centro da discussão. Outro ponto, destacou o petebista, foi a apresentação aos funcionários dos números já apurados pelo grupo em mais de um mês de atuação.
''Os funcionários cogitam pedir uma consulta com jurista para emissão de parecer sobre essa transferência, mas é algo que a Sercomtel teria de licitar'', afirmou. Conforme o vereador, a comissão expôs ontem ofício encaminhado já em dezembro do ano passado, à direção da empresa, no qual era solicitado o reaproveitamento de todos os funcionários na Fixa, uma vez que a móvel fosse pivatizada.
Conforme o vereador, o grupo da Câmara vai tentar encaminhar a consulta ao TC juntamente com membros do Legislativo, da comissão formada no Sinttel e da direção da Sercomtel. ''Se eu fosse advogado desses funcionários, trabalharia com a hipótese de que a matriz de contratação da maioria deles é a Sercomtel Fixa - ou seja, estão emprestados à Celular'', comentou Sidney. ''Mas ficou claro para nós que essa é uma linha de precaução deles, já que, desde 2001, quando a venda começou a ser cogitada, paira uma insegurança; essa transferência é vista praticamente como um porto seguro'', avaliou.
Para o diretor do Sinttel, apesar de positiva, a reunião de ontem ainda não foi suficiente para render um posicionamento dos funcionários a favor da venda. ''O que a categoria buscou foram subsídios e informações para se posicionar, mas não há ainda um convencimento. Pelo menos ela foi chamada à discussão'', ponderou Shimidt. Sobre as chances de se tentarem transferências de pessoal entre as empresas, o diretor resumiu: ''Todos têm a preocupação com o emprego, mas não há uma clareza de todos hoje na Celular de que o objetivo de fato é esse'', declarou, referindo-se ao fato de que a privatização não é consenso entre o corpo funcional.
Pelos números da assessoria de imprensa da Sercomtel, dos 79 funcionários da Celular, 17 são concursados - o restante veio da Fixa. Desse total, apenas nove teriam estabilidade, considerando o período de trabalho em empresa pública anterior à Constituição de 1988. Já na Fixa, segundo o órgão, são 477 empregados, 66 deles estáveis.

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