Reunião com as elites, declarações e representantes medíocres e poucas ações práticas para coibir os problemas de segurança em Londrina. Foi nesse tom irritado, irônico e com discursos várias vezes inflamados que os vereadores de repercutiram na sessão de ontem a primeira reunião da ''Operação Mãos Limpas'' realizada anteontem na cidade com lideranças e prefeitos da região. Como alvo da reclamação os vereadores elegeram o governador Roberto Requião (PMDB), políticos presentes ao encontro a portas fechadas e, em especial, o presidente da Associação Comercial e Idustrial de Londrna (Acil), José Augusto Rapcham.
Pelo tom dos discursos, os vereadores não gostaram de não ter sido convidados para a reunião e de o encontro ter reunido poucos nomes; nenhum deles, de membros de conselhos comunitários de segurança.
Jamil Janene (PL), ex-presidente da Comissão Permanente de Segurança da Casa, classificou o tom restritivo do encontro. ''Foi a reunião com as entidades da elite. O que a Acil entende de segurança?'', questionou.
Outros vereadores se ativeram ao fato de Requião ter saído da reunião na Acil pelos fundos, sem conversar com a imprensa, e também às declarações de prefeitos que se disseram satisfeitos com o mero fornecimento de viaturas novas, por exemplo.
''E a 'operação consciência limpa'? Essa o governo ainda não tem'', esbravejou o petebista Sidney de Souza, para quem não apenas prefeitos que aceitaram medidas paliativas são ''medíocres'', como o próprio engenheiro que preside a Acil. ''Bando de apaniguados'', lançou.
Irônico, o petista Gláudio Renato de Lima começou o discurso elogiando a ''competência'' do governador. No caso, competência em ''selar a cizânia, a discórdia'' entre quem participou e quem ficou de fora. Até o peemedebista Henrique Barros manifestou o ''voto contrário'' à primeira reunião do tipo em Londrina ele foi barrado no encontro. ''Mas tenho certeza que isso (o impedimento da passagem dele) não chegou ao ouvido do governador, não ligo'', minimizou.
O presidente da Acil informou que a entidade uma das 37 que entregaram o Plano de Segurança a Requião, semana passada apenas ofereceu a sede para se reunirem; a organização, diz, ficou a cargo da assessoria do Palácio Iguaçu. ''Apenas fomos convidados para essa reunião de trabalho. E realmente não entendemos de segurança, não é nosso foco, mas estamos aflitos para resolver esse problema, e, ao contrário dos vereadores, nos organizamos para discutir medidas'', rebateu.
Em relação às críticas de Souza, Rapcham resumiu: vai analisar o conteúdo do grande expediente de ontem para responder ao vereador, se for o caso, juridicamente. ''Ele deveria sair do aquário e ver quem é medíocre; deveria ter a postura de nos representar, e não nos agredir, ele que não foi eleito para isso. E a Acil tem 70 anos de atividades, merece respeito'', ponderou.
Em entrevista ontem de manhã a uma rádio local, Requião avaliou a reunião de terça como ''muito boa'' e voltou a se queixar da imprensa: ''Vimos que quem mais reclama (da segurança) é a imprensa, pois as pessoas que cuidam da segurança no município reonhecem os esforços do governo nesse sentido em resolver o problema''.

mockup