Curitiba - Na mesma sentença em que determinou a pena de André Vargas e dos demais réus, o juiz federal Sérgio Moro criticou a postura adotada pelo então parlamentar à época do julgamento da ação penal 470 (Mensalão). O magistrado indicou que o ex-parlamentar tem uma "personalidade desfavorável" ao lembrar o gesto de afronta protagonizado pelo ex-petista ao erguer o punho cerrado ao lado do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa em fevereiro do ano passado. "O parlamentar, como outros e talvez até mais do que outros, tem plena liberdade de manifestação. Protestar contra o julgamento do Plenário do STF é algo, portanto, que pode e poderia ter sido feito por ele ou por qualquer um, muito embora aquela Suprema Corte tenha agido com o costumeiro acerto", destacou. Entretanto, prossegue o juiz em sua sentença, "retrospectivamente, constata-se que o condenado, ao tempo do gesto, recebia concomitantemente propina em contratos públicos por intermédio da Borghi Lowe. Nesse caso, o gesto de protesto não passa de hipocrisia e mostra-se retrospectivamente revelador de uma personalidade não só permeável ao crime, mas também desrespeitosa às instituições da Justiça", completou. O mesmo gesto com o punho cerrado de Vargas foi anteriormente protagonizado por José Dirceu e José Genoíno na época em que foram presos durante o processo do Mensalão. (R.C.J.)

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