Réu no mensalão mineiro, Azeredo renuncia ao cargo
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Das Agências 
Brasília - Na carta em que renuncia ao mandato na Câmara dos Deputados, Eduardo Azeredo (PSDB-MG) faz duras críticas ao Ministério Público, volta a se comparar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que seu caso é usado para compensar o mensalão do PT e para saciar "os mais baixos apetites em ano de eleição".
"Insisto que as responsabilidades de um governador são semelhantes e proporcionais às de um presidente da República", diz Azeredo, acrescentando: "Esta sanha não quer que prevaleça a ponderação da Justiça, mas, sim, ver, pendurado e balançando no cadafalso, o corpo de alguém exemplado para satisfazer os mais baixos apetites em ano de eleição".
Azeredo, que é ex-presidente nacional do PSDB e um dos fundadores do partido, é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de comandar esquema de desvio de recursos públicos de estatais de Minas Gerais para sua campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.
Em declarações anteriores, Azeredo se comparou a Lula, que no início do escândalo do mensalão do PT se disse traído por alguns dos investigados no caso, que acabou resultando na condenação da antiga cúpula de seu partido, o PT. "Fui transformado em mero alvo político destinado a sofrer ataques para compensar delitos cometidos por outros."
Sobre a PGR, que sugeriu seu encarceramento por 22 anos, Azeredo diz na carta que as alegações do procurador-geral Rodrigo Janot são "injustas, agressivas, radicais e desumanas", representando "mais uma antiga e hedionda denúncia da Inquisição do que uma peça acusatória".
No documento de três páginas, o tucano diz ainda se sentir vítima de um "atropelamento inesperado" ao atravessar uma rua. "Uma tragédia desabou sobre mim e a minha família, arrasando o meu nome e a minha reputação."
O relator do mensalão tucano no Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse que ainda precisa analisar o caso antes de decidir se enviará o processo para a primeira instância da Justiça ou se delegará a decisão ao plenário.
Perda automática de mandato
No dia em que o deputado federal Eduardo Azeredo renunciou ao cargo, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna automática a perda do mandato parlamentar para casos de condenação por improbidade administrativa ou crime contra a administração pública. A chamada "PEC dos Mensaleiros" foi aprovada em setembro passado pelo Senado e agora vai à votação no plenário da Câmara, possivelmente após o Carnaval.
A votação contou apenas com o voto contrário do deputado do PT Sibá Machado (AC) que, orientado pela bancada, argumentou que já foi instituído o voto aberto para cassações de mandato. Para o petista, a PEC 18/2013 do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) é "conjuntural", ou seja, o alvo era os deputados do PT condenados no processo do mensalão.


