Curitiba - Um dos subordinados de Alberto Youssef dentro do mega esquema de lavagem de dinheiro deflagrado pela operação Lava Jato reforçou as suspeitas de que políticos do PSDB também mantiveram ligação estreita com o doleiro londrinense. PT, PMDB e PP já haviam sido citados nos interrogatórios de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do próprio Youssef, no último dia 8. No último dia 16, Costa, em delação premiada, também apontou data e valores que teriam sido entregues ao ex-senador Sérgio Guerra (PE), ex-presidente nacional do PSDB, para "travar" a CPI da Petrobras. Anteontem, outro tucano surgiu nos depoimentos, desta vez no interrogatório do empresário Leonardo Meirelles, um dos proprietários da Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia e Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen Ltda.
Primeiro Meirelles disse, à Justiça Federal do Paraná, que teria ouvido o nome do senador Sérgio Guerra durante uma reunião com Youssef na capital paulista. "Em uma das ocasiões eu estava na sala (de Youssef), e teve um contato telefônico dos vários que ele tinha. E surgiu o nome (Sérgio Guerra) numa conversa que faltava um ajuste, uma situação do passado, algum ajuste financeiro, que havia algo parado. Estava presente na sala e acabei escutando", disse Meirelles.
Além disso, durante seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, o empresário apontou o envolvimento de Youssef com outro tucano "padrinho político do passado" e "conterrâneo" do Paraná. O doleiro Youssef é natural de Londrina. O nome deste político não foi citado durante o interrogatório porque o juiz não autoriza a menção a pessoas que têm direito a foro privilegiado e, portanto, só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante seu interrogatório, Meirelles ainda reforçou que, no período em que prestou "serviços" a Youssef, frequentava quase que diariamente o escritório do doleiro, em São Paulo. "Tenho conhecimento que no escritório dele tinha um fluxo grande de pessoas ligadas ao partido PP. Pelo que sei, e foi relatado pelo próprio Youssef, é que, na ocasião, tinha uma grande quantia em aberto com ele. Era um saldo de financiamento de campanha de 2010", disse.
O empresário confirmou também que, durante o processo, colaborou espontaneamente com a Justiça e com a PF, e assumiu que recebia 1% de comissão por cada transferência realizada por meio das empresas para o exterior. A reportagem entrou em contato com o advogado de Meirelles, Haroldo Cesar Nater, mas ele não atendeu às ligações.

Repúdio
O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, informou que o empresário não tem provas de que o doleiro tivesse alguma ligação com o PSDB, e "repudia" as declarações feitas por Meirelles durante seu interrogatório.

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