Ao lado das críticas ao Executivo, os analistas não pouparam os vereadores. Consideram que a Câmara de Londrina ''não cumpriu seu papel'' e andou a reboque do Executivo, ''quando não controlado pelo Executivo''. ''Os vereadores não viram que a saúde estava um caos? Só passaram a agir a partir da denúncia do Ministério Público e isto ocorreu com praticamente todas as outras situações'', comentou Marcos Rossi. ''Com isso, constatamos que a política não é autossuficiente, que não basta o Legislativo para fiscalizar o Executivo.''
Além da ineficiência em fiscalizar, outro fator que chamou a atenção foi o ''presente de Natal'' que os vereadores deram à próxima legislatura, aumentando os salários dos parlamentares em 109%, sem qualquer discussão com a sociedade. ''No caso do aumento do número de vereadores, a Câmara queria jogar a responsabilidade para os partidos políticos, mas acabou atendendo a vontade da população, diante das pressões. Porém, agora, decidiram não debater o reajuste para evitar o desgaste'', avaliou Elve Cenci.
''Neste caso dos salários, os vereadores usaram o poder em causa própria para desavergonhadamente, no apagar da luzes, na calada da noite, elevarem seus salários para R$ 12 mil'', criticou Marcos Rossi.
Ontem, a FOLHA revelou ainda que os vereadores aprovaram em novembro um aumento da chamada verba de gabinete, paga a servidores comissionados que trabalham nos gabinetes dos parlamentares. Mas, embora a matéria tenha sido aprovada em novembro, o assunto não foi divulgado pelo Legislativo na época. Outra polêmica envolvendo o benefício tem ligação com o procedimento adotado pela Casa: ao invés de a Mesa Executiva elaborar um projeto de lei próprio, o aumento da verba de gabinete foi inserido - através de emendas - num projeto de lei de autoria do Executivo, e que concedia a recomposição aos aposentados e pensionistas do município.

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