RETROSPECTIVA 'Ano foi negativo para a política'
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O ano de 2011 foi marcado por denúncias e investigações contra a administração do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), e pela atuação tardia e ineficaz da Câmara local, afirmam analistas políticos entrevistados pela FOLHA. ''Com uma agenda tão negativa, os analistas acabam não observando a gestão: os olhos se voltam para as investigações, para o ambiente de corrupção'', explicou o cientista político Mário Sérgio Lepre.
Para Lepre, Elve Miguel Cenci, doutor em filosofia política, e o sociólogo Marcos Rossi, 2011 teve uma sucessão de crises. A mais grave começou em maio, com a deflagração da operação Antissepsia pelo Ministério Público (MP) estadual, que levou 21 pessoas à prisão, suspeitas de participação em um esquema de corrupção e desvio de dinheiro na Saúde, por meio dos contratos com as oscips Instituto Gálatas e Atlântico. Enquanto isso, a cidade vivia uma epidemia de dengue e inúmeras reclamações de mau atendimento nas unidades de saúde.
O suposto favorecimento e exigência de propina para a contratação do Instituto Atlântico por parte do prefeito e da primeira-dama, Ana Laura Lino, renderam a Barbosa uma ação por improbidade administrativa e um pedido de investigação criminal no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, em razão do foro privilegiado. ''Naquele momento, todos achavam que o governo do prefeito não tinha mais sustentabilidade. Mas houve uma acomodação de ânimos e agora até já se cogita que Barbosa dispute a reeleição'', analisou Lepre.
Mas as denúncias não se limitaram à Saúde. Barbosa foi acusado de improbidade pelo MP em outras três situações, além do Altântico, somente este ano: vigilantes de sua emissora de rádio que teriam sido pagos com dinheiro público por meio de contrato com o município; supostas fraudes na contratação da empresa que prestou o serviço de treinamento da Guarda Municipal; e aditivo supostamente irregular de mais de R$ 1 milhão com a empresa Proguarda, que fazia a limpeza dos prédios do município. O prefeito foi investigado pela Câmara, mas três pedidos de Comissão Processante (CP) foram arquivados pelos vereadores.
A administração de Barbosa também está na mira do MP: a secretária de Educação, Karin Sabec, foi denunciada pela compra sem licitação de ''livros racistas'', que deveriam embasar o estudo sobre a cultura negra e indígena, e é investigada por fraudes na compra - também sem licitação - dos uniformes escolares. O ex-secretário de Gestão Pública, Marco Cito, teria tido participação direta nas irregularidades no caso da Proguarda e Guarda Municipal.
Na administração indireta, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, protagonizou em 2011 um escândalo ao admitir que sonegou imposto municipal (o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis, o ITBI) na compra de um apartamento. O MP também apura a origem do dinheiro utilizado na aquisição, ainda não explicada.
''O que chama a atenção é que nenhuma dessas situações foi suficientemente explicada: nem no caso da Saúde, nem no caso dos livros, dos uniformes, da CMTU, e por aí vai'', afirmou o sociólogo Marcos Rossi. ''Os eventuais atos positivos do governo ficaram em segundo plano, porque tudo o que o prefeito faz é rebatido pelo Ministério Público, pela imprensa ou pela Câmara porque essas ações trazem embutidas alguma irregularidade'', analisou Elve Miguel Cenci, doutor em filosofia política. ''Acabou sendo uma agenda político-policial.''
Porém, para Elve foram poucas as obras que merecem destaque. ''Hortas comunitárias, academias ao ar livre, asfalto no centro são obras importantes, mas sem impacto diante do orçamento de R$ 1 bilhão'', comparou. ''Não tenho a menor condição, diante da falta de ações positivas e políticas, de analisar a qualidade da gestão durante este ano'', sentenciou Rossi.


