Arquivo FolhaIndigestoMário Pereira: retorno ao comando do PMDB reacendeu a disputa com o grupo do senador RequiãoO retorno do ex-governador Mário Pereira ao comando estadual do PMDB desencadeou uma crise política no partido. A uma semana do encontro nacional extraordinário que vai definir os rumos da sigla na sucessão presidencial, Pereira declarou apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), contrariando boa parte das lideranças políticas do Paraná que são favoráveis ao lançamento da candidatura própria postulada pelo senador Roberto Requião e pelo ex-presidente Itamar Franco (PMDB-MG).
A manifestação do ex-governador foi na última segunda-feira, em Curitiba, durante discreta solenidade de posse, na sede do PMDB, e caiu como uma bomba. O anúncio do ex-governador tomou proporções inesperadas. O jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’ revelou ontem uma articulação nacional envolvendo o PMDB do Paraná na briga entre os governistas e peemedebistas defensores de candidatura própria. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), estaria por trás das costuras que têm o aval de Mário Pereira.
O ex-governador não quis dar entrevistas ontem para reforçar suas posições governistas. Os bastidores davam conta de que a atitude de Pereira foi uma resposta à pressão dos requianistas defensores de uma antecipação da convenção estadual do PMDB que, no dia 24 de maio, vai renovar o comando da sigla. O grupo trabalhava para que Pereira não reassumisse a presidência e coordenasse uma renúncia coletiva da executiva, permitindo condução antecipada do senador Roberto Requião ao comando estadual do PMDB.
Irado, Requião preferiu não se estender nos comentários. Ele teria sido cobrado pelo presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade, pela matéria de página dando destaque para a posição de Mário Pereira. ‘‘O problema é dele (de Pereira). Ninguém está preocupado com isso. Apenas perdemos um voto, o do Milton Buabssi (que antecedeu Pereira no comando)’, desconversou. Requião insistiu em dizer que a manifestação do ex-governador, que é seu adversário interno, não corresponde com a da maioria. ‘‘A tese do candidato próprio está ganha. Só perderemos se houver compra dos delegados pelo governo federal’’, observou.
A bancada do PMDB reuniu-se ontem na Assembléia Legislativa para avaliar os reflexos das declarações do presidente estadual Mário Pereira. O líder dos deputados, Orlando Pessuti, suspendeu sua participação no primeiro dia da caravana organizada pelo prefeito de Contagem (MG), ex-governador Newton Cardoso, na busca de votos dos convencionais em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás. ‘‘A bancada não aprova a posição do ex-governador. A posição só pode ser pessoal’’, avaliava ontem o deputado.
Pessuti partiu para o ataque. ‘‘Ele (Mário Pereira) fica dizendo que reassumiu o PMDB por causa de um apelo feito por nós deputados, e isso não é verdade’’, explicou. Segundo ele, a posição de Pereira é isolada e, dos 29 votos que o PMDB do Paraná tem direito ao encontro extraordinário, a quase totalidade é pela tese do candidato próprio.

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