Retirada de projeto pode aproximar PSDB e PMDB
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terça-feira, 09 de agosto de 2011
Catarina Scortecci <br>Equipe da Folha 
Curitiba - O recuo do governo do Estado em relação à agência reguladora de serviços públicos delegados pode indicar na prática o início de um ''namoro'' entre PMDB e PSDB. O projeto de lei de autoria do Executivo que incluia serviços de saneamento e energia no leque de atribuições da agência reguladora criada em 2002 foi retirado da pauta da Assembleia Legislativa por decisão do governador do Estado, Beto Richa (PSDB). A decisão foi divulgada no início da noite de segunda-feira. O projeto de lei era alvo de críticas da bancada do PT e de setores do PMDB, que questionavam se a mudança proposta para a agência reguladora não abriria a possibilidade de uma privatização de empresas como Copel e Sanepar.
Segundo o líder da base aliada, Ademar Traiano (PSDB), a ideia é fazer modificações no texto do projeto de lei e enviar uma nova versão. É o segundo recuo do governo do Estado, que já havia determinado a suspensão da votação do projeto de lei por cinco sessões plenárias. Agora, não há um prazo definido para a matéria voltar ao plenário da Casa.
O presidente do PMDB no Paraná, deputado estadual Waldyr Pugliesi, admitiu que considera o recuo ''um sinal importante''. ''Isso era um obstáculo a mais nas conversas'', afirmou ele. As declarações de Pugliesi são feitas um dia depois do deputado estadual Nereu Moura (PMDB) afirmar que a bancada de peemedebistas avalia a possibilidade de integrar a base de apoio a Beto Richa, inclusive numa composição para as eleições de 2014. Segundo Nereu Moura, o PMDB está distante do PT - único partido que faz oposição declarada a Beto Richa.
Embora tenha aprovado a retirada do projeto de lei da agência reguladora, Pugliesi é mais cauteloso ao falar de uma eventual aliança com o PSDB. ''Claro que me sinto desconfortável. Quem perde as eleições, fica na oposição, não?'', disse ele, que não acredita que a presença do deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) na secretaria do Trabalho significa que o PMDB está ''representado'' no Executivo. Romanelli faz parte do grupo de peemedebistas que não entrou, no ano passado, na campanha eleitoral do então candidato ao governo do Estado Osmar Dias (PDT), sustentado por uma aliança entre PMDB e PT.
Mas, para Pugliesi, será necessário fazer uma reunião formal para tratar do assunto. ''No PMDB tem gente que já é aliada e tem gente que quer fazer oposição. Mas se a maioria votar a favor da aliança, então todos os 13 deputados estaduais têm que seguir a mesma linha'', disse ele.
Uma das resistências peemedebistas ao PSDB, o senador Roberto Requião (PMDB), também reagiu positivamente à retirada do projeto de lei da agência reguladora: ''Medida lúcida que deve ser elogiada e não criticada'', escreveu em seu espaço no Twitter.


