Brasília - Terminou ontem, depois de um mês, a tentativa de criar uma CPI para investigar as denúncias reveladas pela Operação Navalha, da Polícia Federal.
A retirada das assinaturas de quatro deputados - Clodovil (PTC-SP), Ribamar Alves (PSB-MA), Edigar Mão Branca (PV-BA) e Vinicius Carvalho (PT do B-RJ) - por pressão da base do governo, levou os idealizadores da comissão a jogar a toalha.
Foi a primeira vez que os líderes que sustentam Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram abafar uma CPI, o que demonstra o poder que o Executivo tem hoje sobre o Legislativo. No passado, o governo fracassou em operações-abafa para as CPIs do Banestado, Correios, Bingos e Apagão Aéreo.
''Essa é uma operação perdida. A CPI da Navalha foi navalhada'', declarou Chico Alencar (PSOL-RJ). ''Chega. Não vou me prestar mais a esse papel. Tem deputado que assina a CPI e depois fica chantageando o governo para obter benefícios'', afirmou Júlio Delgado (PSB-MG).
Os defensores da CPI até conseguiram reunir as 171 assinaturas de deputados e 29 de senadores necessárias. Mas bastava o número ser atingido para a engrenagem do governo começar a funcionar.
''Com o avanço das investigações pela Polícia Federal, a CPI perdeu o sentido'', disse Ribamar Alves. Ele confirma que recebeu um pedido do líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), pela retirada, mas afirma que isso não influenciou.
Mão Branca e Carvalho foram procurados pela reportagem, mas não telefonaram de volta. A assessoria de Clodovil afirmou que ele está de licença médica.

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