Resultado pode beneficiar 1,7 milhão de servidores
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Os telefones dos sindicatos e das entidades de defesa dos servidores públicos não pararam de tocar ontem em Brasília. As perguntas eram sempre as mesmas: Vale para mim também? Posso recorrer até quando? Os telefonemas começaram na noite de quarta-feira, logo após o anúncio do resultado favorável ao pagamento dos 28,86% no Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns sindicalistas receberam ligações de colegas até na madrugada, ansiosos por orientação.
Segundo a Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Públicos a maioria dos servidores já está representada em ações coletivas impetradas pelas 194 entidades de todo o Brasil. Estas entidades representam cerca de 400 mil servidores, afirmou Carlos Maldonado, que integra a Coordenação.
Existem também diversas ações individuais, que ainda não foram contabilizadas pelo movimento. A intenção dos servidores é encaminhar o acórdão do STF que deu ganho de causa ao pagamento a todas as instâncias onde os processos estão parados. Segundo os sindicalistas vários juízes já deram ganho de causa à ação e aguardavam apenas o posicionamento do Supremo para mandar executar.
O representante da Associação de Docentes Universitários (Andes), Fernando Pires, explicou que a maioria dos sindicatos optou por ações individuais ou em pequenos grupos, em diferentes instâncias, como estratégia para evitar que uma ação maior fosse derrotada de imediato na Justiça. A Coordenação entende que será possível estender o benefício a todos os funcionários da ativa, aposentados e pensionistas que totalizam cerca de 1 milhão e 70 mil. A vitória no Supremo Tribunal Federal deu novo ânimo aos sindicalistas que pertencem a entidades de defesa dos servidores públicos. Logo pela manhã os 39 diretores do Sindsep deslocaram-se para os ministérios com a missão de reunir funcionários, explicar os procedimentos cabíveis, mas principalmente criar comissões mobilizadoras para lutar contra a aprovação das reformas constitucionais, em especial a administrativa.
É a primeira derrota política do FHC, afirmou Cláudio Santana, diretor do Sindisep. Isso mostrou que é possível derrotar o governo. A coordenação não descarta nem mesmo uma greve geral dos servidores, se a resitência do governo em não negociar a pauta de reivindicações continue.


