BRASÍLIA á- O resultado registrado no painel eletrônico da Câmara ontem pode render R$ 800 a um dos integrantes da cúpula pefelista. Reunidos para o almoço, o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), o senador Guilherme Palmeira (AL), e o embaixador Jorge Bornhausen fizeram suas apostas. Menos otimista, Palmeira (ex-candidato a vice de Fernando Henrique Cardoso) apostou em 329 votos. Engajado na caça aos votos, Bornhausen foi quem apostou mais alto: 352 deputados a favor da reeleição. José Jorge apostou em 32 votos extras ao mínimo necessário para aprovar a emenda. O placar de 340 votos se repetiu entre as previsões dos líderes governistas ontem. ‘‘Teremos 340 votos, no mínimo’’, comemorava previamente o líder do governo, Benito Gama (PFL-BA), ainda pela manhã. Os números haviam sido combinados pelos líderes do PSDB, José Aníbal (SP), e do PMDB, Michel Temer (SP). O líder do PFL, Inocêncio Oliveira, ousou uma aposta mais alta: 345 votos. Pouco depois do meio-dia, o comando político do governo lançava mais uma previsão. A emenda da reeleição seria aprovada à noite com votos de 330 a 340 deputados. O ministro Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos) não participou de nenhum bolão, mas bancou uma aposta no comportamento das apostas no mercado de ações. ‘‘O Brasil não será o mesmo depois de hoje: é só olhar o movimento das bolsas’’, afirmou. Pouco antes de ir para o plenário, os governistas falavam em até 360 votos, relatou o vice-líder Pauderney Avelino (PPB-AM).
Ministro Um dos últimos atos do deputado Luiz Carlos Santos (PMDB-SP) no cargo de ministro de Assuntos Políticos foi tentar convencer o líder do PTB, Vicente Cascione (SP), a votar a favor da emenda da reeleição. A tentativa foi frustrada pela resistência de Cascione, que reafirmou sua posição contrária à reeleição logo no início da conversa, ontem à noite, em um restaurante de Brasília. ‘‘Acho que o ministro se sentiu inibido e percebeu que nem adiantaria insistir no assunto’’, disse o petebista.

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