A pesquisa publicada ontem na Folha, que apontou que 66,8% dos entrevistados que pretendem participar do plebiscito reprovam a proposta de venda da Sercomtel Celular, preocupa o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT). A consulta, feita em parceria com a Rádio Paiquerê AM e a Canadá Pesquisas, mostra ainda que 27,7% são a favor da venda da companhia telefônica e 5,5% não souberam responder.
Foram entrevistadas 600 pessoas, entre os dias 14 e 17 deste mês. ‘‘Essa pesquisa me deixou muito, bastante preocupado’’, admitiu o prefeito. ‘‘Achei que fosse ficar, no mínimo, na faixa dos 40% favoráveis à venda. Não esperava a maioria, mas um resultado mais equilibrado’’, desabafou.
Nedson, que defende a venda, afirmou que é um desafio convencer a população da necessidade de vender a estatal, a menos de um mês do plebiscito, marcado para 19 de agosto. ‘‘O desafio é convencermos que é importante votar com clareza, que é necessária a venda’’. Ontem à noite, o prefeito e o presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, participaram de um debate sobre o assunto, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Cerca de 30 representantes de entidades civis estiveram presentes.
Para Nedson, o fato de a prefeitura ser impedida, por lei, de fazer campanhas explicando as razões que fizeram a administração decidir pela venda, dificulta o processo. ‘‘Eu acho que a população não tem informação suficiente’’, observou. ‘‘Estamos informando através da imprensa, mas quantas pessoas têm acesso à mídia? O tema tem profundidade técnica razoável’’.
O prefeito aposta na atuação da sociedade organizada para reverter o quadro. ‘‘Estou conclamando as entidades e até as pessoas que tenham compreendido a situação que ajudem a esclarecer a necessidade da venda’’. Sobre a preocupação com a aplicação dos recursos que seriam obtidos com a venda, demontrada por uma parcela dos entrevistados, Nedson disse que o cronograma de obras somente poderá ser feito se o plebiscito decidir pela venda.
‘‘Tenho ouvido propostas dos mais variados setores. O que eu tenho a colocar é que vamos fazer obras de infra-estrutura e ouvir toda a cidade’’, garantiu. O descrédito na aplicação dos recursos é o argumento usados por 19,3% das pessoas entrevistadas que se manifestaram contra a venda.
A pesquisa também surpreendeu o presidente da Câmara de Vereadores, Tercílio Turini (PSDB). ‘‘Até imaginava que poderia ser menor a diferença, que poderia ter diminuído em pleno processo de discussão, mas essa situação pode se alterar com intensificação do debate’’, apostou.
Para Turini, a destinação dos R$ 186 milhões obtidos com a venda de 45% das ações da Sercomtel, em 1998, também dificulta a aceitação da proposta – o dinheiro teria patrocinado os desvios que estão sendo investigados pelo Ministério Público. ‘‘Mesmo o prefeito tendo credibilidade com a população, esse é o fator que está pesando muito na decisão’’, afirmou.
Segundo ele, a aplicação dos recursos tem que ser aprovada pela Câmara, através de projetos específicos que darão as garantias para que ‘‘não ocorra distorção no processo’’. O edital de licitação para avaliação da empresa será publicado no dia 25.

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