Resultado das urnas é alerta para Nedson
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segunda-feira, 01 de novembro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O resultado das urnas no segundo turno das eleições em Londrina, que garantiu a Nedson Micheleti (PT) mais quatro anos de mandato por 17 mil votos de vantagem sobre Antonio Belinati (PSL), serve como um sinal de alerta para o prefeito neste novo mandato. Essa é a análise de sociólogos e de um cientista político ouvidos pela Folha de Londrina.
''O resultado não pode ser tomado como inteiramente positivo. No Rio de Janeiro, por exemplo, César Maia (PFL) conseguiu a reeleição com larga vantagem no primeiro turno. Em Londrina, a polarização aconteceu já no primeiro turno, o que mostra um descontentamento com a administração do município e dadas as alternativas e os apoios, o Nedson acabou reunindo forças, mas não houve aprovação da administração. O prefeito deve analisar bem o resultado e tomar com seriedade o recado das urnas'', sugeriu o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ronaldo Baltar.
''Apareceu uma certa rejeição (contra a administração municipal). O Nedson tem que fazer uma reflexão disso. Claro que teve muita dificuldade na primeira administração, mas houve críticas e ele deve colocar isso na agenda para poder analisar e rever muitos pontos. A aprovação da administração dele (Nedson) talvez não tenha o foco do voto do eleitor. A cidade representou sim o anti-Belinati'', avaliou cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina e da Unifil, Mário Sérgio Lepre.
Para o professor de sociologia da UEL, Ariovaldo dos Santos, os 121.102 votos concedidos a Belinati mostram também que a população precisa refletir o voto. ''O que é significativo é que se trata de um candidato que teve o mandato cassado há quatro anos e, no entanto, voltou com uma quantidade expressiva de votos. Parte da população não está esclarecida do que é a má-versação, corrupção, que afetam o seu cotidiano'', afirmou. ''A gente não pode desconsiderar que o eleitor fez uma opção dentro de um quadro específico, foi progressista. Agora o eleitor não pode ficar ao sabor do vento. Que a administração reestabeleça a prática antiga de ir aos bairros, fomentar os grupos de discussão, a organização pela base'', opinou Santos.
Na avaliação de Baltar, o resultado do segundo turno em diversas cidades brasileiras demonstra que o eleitor está mais crítico. ''Dá para ver que aqui em Londrina se repetiu o que aconteceu no país inteiro, em que políticos tradicionais, em que o povo têm uma certa desconfiança sobre probidade administrativa, acabaram perdendo as eleições. Esse é um fenômeno nacional. Demonstra que o eleitor está tomando mais consciência, procurando saber do passado do candidato, ficando mais crítico'', disse, se referindo às 37 ações civis e criminais que tramitam contra Belinati por suposto desvio de dinheiro dos cofres públicos municipais.
Para Santos, o índice de abstenção (55.727) e o de votos brancos (3.533) e nulos (10.050) que, somados, representam 21% do eleitorado, mostra que a eleição não empolgou o londrinense. ''Esses números já eram elevados no primeiro turno. Temos que considerar que foi uma eleição que não empolgou o eleitor. Se considerarmos o que foram as últimas eleições com camisas, bandeiras, esta foi mais morna até pelo fato de ter ficado difícil de identificar diferenciais entre os candidatos na propaganda, embora tivessem diferenciais'', concluiu.


