Restrições preocupam uruguaios
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 1997
Agência Folha 
MONTEVIDÉU - As novas restrições brasileiras ao financiamento dos importadores (agora em operações superiores a 360 dias) são motivo de preocupações tanto para o governo como para a classe empresarial uruguaia.
A rigor, a medida não afeta o comércio entre os dois países, pois a grande maioria das exportações uruguaias para o Brasil é financiada em prazos inferiores a 360 dias. A questão é política. No mês passado, quando se encontrou com o presidente da Argentina, Carlos Memem, no Rio de Janeiro, FHC se comprometeu com seu colega que o Brasil não tomaria medidas desse tipo sem consultar previamente seus parceiros no Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai).
No Uruguai, essa consulta prévia não foi feita. Dessa forma, as autoridades uruguaias e as lideranças empresariais do país encaram com desconfiança as decisões e as promessas de FHC e de sua equipe econômica. O assunto foi tratado ontem nos principais jornais do país - El País, El Observador e La República.
Parece que as palavras e as promessas brasileiras são levadas pelo vento. Esse tema se refere à confiabilidade dos governos (do Mercosul) e dos empresários sobre o que dizem e prometem os brasileiros, disse o El Observador em editorial publicado ontem.
Além da primeira-dama Ruth Cardoso, a comitiva de FHC está integrada pelos ministros das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, dos Transportes, Alcides Saldanha, e da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles. O chefe da Casa Militar da Presidência, general Alberto Cardoso, e os governadores do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB), e de Sergipe, Albano Franco (PSDB), também fazem parte da comitiva presidencial.
Há ainda uma comitiva empresarial que reúne representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul e de representantes de empresas.


