Restrições em campanhas dividem opiniões de marqueteiros
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Luís Fernando Wiltemburg <br>Reportagem Local 
As novas regras para a campanha eleitoral deste ano, que vão desde limitações nos gastos até redução na duração do embate, dividem a opinião dos chamados marqueteiros, os profissionais que cuidam da comunicação e propaganda dos candidatos. Além do tempo reduzido de campanha eleitoral pela metade, os candidatos terão ainda mais proibições de materiais em vias públicas e até mudanças no horário eleitoral gratuito.
As alterações ocorrem devido à reforma eleitoral aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Atingem os prazos de filiação partidária, que termina seis meses antes do pleito (até a eleição passada, era um ano); a proibição de doações feitas por empresas; e a fixação do gasto máximo dos candidatos para o máximo de 50%, no primeiro turno, do maior valor declarado pelos candidatos em 2012 (e 30% no segundo turno; onde não há essa previsão e para candidatos a vereador, o teto é de 70% do maior valor declarado), entre outros.
No caso das campanhas eleitorais, a duração foi reduzida de 90 para 45 dias e o horário eleitoral gratuito foi reduzido de 45 para 35 dias. Nas ruas, há restrições em material de divulgação ainda maiores que as de anos passados.
Todos esses empecilhos trarão dificuldade para a comunicação dos candidatos, na opinião do jornalista e marqueteiro Cláudio Osti, responsável pela campanha do prefeito Alexandre Kireeff(PSD) em 2012. "Numa cidade do tamanho de Londrina, o candidato a prefeito não tem condições de visitar casa por casa", afirma.
Neste caso, para chegar ao eleitor, o candidato precisa fazer uma comunicação forte em rádio, tevê e nas redes sociais, mas, para Osti, as limitações podem impedir uma boa campanha na televisão. "Um bom programa de tevê precisa de 15 a 20 profissionais, mas já vi equipes com 40 pessoas envolvidas", contabiliza.
Apesar da preocupação de Osti, a campanha vitoriosa de Kireeff em 2012, que custou pouco mais de R$ 917 mil, foi bem mais barata que a de seus adversários. A campanha de Marcelo Belinati (PP) naquele ano custou quase 2,4 vezes mais: R$ 2,17 milhões. A petista Márcia Lopes gastou R$ 2,4 milhões - 2,6 vezes mais cara.
Marqueteiro com 22 campanhas no currículo, o publicitário Paulo Nobre encara as alterações impostas às campanhas eleitorais de forma positiva. Para ele, as restrições farão com que as campanhas sejam mais focadas nas propostas e plataforma de governo. "Apesar de marqueteiro, essa figura ficou conhecida como o cara da traquitana (maracutaia). O profissional da comunicação trabalha com a agenda do candidato, não em por do sol, sorriso de criança e grandes jingles", diz.
Porém, se por um lado elogia a regulamentação da produção cinematográfica das campanhas, Nobre critica a redução de material de rua, por considerar que isso "joga contra a festa da democracia". "Considerando os avanços de não poluir as vias e não deixar residual, como os muros pintados com propaganda, ao tirar bandeirolas e cavaletes, é um retrocesso na democracia", critica.


