Para o professor de marketing eleitoral e comunicação política da Universidade de Salamanca, na Espanha, Carlos Manhanelli, o excesso de regras para a campanha política no Brasil acaba prejudicando o surgimento de novas lideranças. Ele, que também preside a Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), defende maior liberdade para o período conhecido como pré-campanha e acredita que a presença na internet, sem restrições, é importante para renovar a política. "O que eu vejo em muitos países é um modelo mais liberal, que favorece muito mais a projeção dos jovens políticos. Quanto mais cerceiam a comunicação, mais beneficiam quem está no poder."
Manhanelli lembrou que o período para a campanha no rádio e na TV, de menos de dois meses, é insuficiente para aqueles que estão se candidatando pela primeira vez. Até mesmo a proibição de pedir votos na pré-campanha poderia ser superada com a comunicação nas redes sociais, "pois é mídia interativa, como o telefone, e não dá pra imaginar a lei cerceando um sujeito que liga pra outro para pedir voto", diz o professor.
O procurador-regional eleitoral do Paraná, Alessandro José Fernandes de Oliveira, também comentou que eventuais mudanças nas regras, antecipando o início da campanha, poderiam contribuir para o debate sobre questões importantes. "Quanto maior o debate, mais favorece o acesso à informação, mais favorece a democracia." No entanto, ele evitou citar o que poderia melhorar sobre o uso da internet. "É quase impossível traçar um paradigma sobre isso. Devem ser analisados casos concretos, diante de tantas possibilidades que a rede permite." (E.F.)

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