Restrição à atuação do MP é tema de reunião
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sexta-feira, 18 de maio de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
O procurador-geral de Justiça do Paraná, Marco Antônio Teixeira, disse ontem à tarde, em Maringá, que o Ministério Público (MP) vem enfrentando obstáculos porque políticos até agora acima de qualquer suspeita são os principais alvos das investigações na apuração de irregularidades. O MP sempre foi assediado neste sentido nos últimos anos, sem um momento de paz, afirmou, antes de abrir encontro de promotores de todo o Estado.
Convocados pela Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), os promotores discutiram ações contra medidas provisórias e projetos de lei que tentam limitar a atuação das promotorias especializadas. Teixeira lembrou que desde a reforma do judiciário, existem interesses em alterar a forma de trabalho do MP. Para muitos não interessa um Ministério Público atuante, disse.
As manobras que mais tentam afetar o trabalho do MP são a Medida Provisória 2.088, que determina a citação dos investigados, e o anteprojeto
do deputado federal Artur Virgílio (PSDB-AM), que retira das promotorias a atribuição de ingressar com ação civil pública. O anteprojeto, que tramita na Câmara dos Deputados, transfere aos procuradores de Justiça dos estados a exclusividade de propor ação civil pública. Seria inviável tal procedimento, já que seriam menos de 30 procuradores para realizar o trabalho de milhares de promotores em todo o País, afirmou Teixeira.
A promotora Maria Teresa Uille Gomes, presidente da APMP, disse que as propostas do Legislativo e do Judiciários seriam um retrocesso ao processo democrático. A cada dois anos o governador do Estado aponta o procurador de Justiça, o que poderia influir nos processos em andamento ou em fase de investigação, disse. Ela lembrou que o MP não quer o confrontamento com o governo ou o Legislativo.
Os promotores, com apoio de procuradores, conseguiram junto ao governo aprovar a proposta de formar uma comissão para analisar a situação. Vamos agora discutir como negociar a manutenção da liberdade do MP com os promotores, explica. A principal preocupação, segundo Maria Teresa, é alguma mudança que venha em prejuízo da população. Aceitamos controle do trabalho do Ministério Público, mas não da forma como está sendo proposto, afirmou.


